FLÁVIO ACIONA TSE CONTRA “CAMPANHA DO MEDO” COM FAKE NEWS EM MASSA PRÓ-LULA

REDAÇÃO

Candidato do PL apresenta ação de 196 páginas contra Lula no TSE e pede suspensão de 32 perfis acusados de disseminar conteúdos falsos ou descontextualizados, além de solicitar a cassação da chapa presidencial por suposto abuso de poder eleitoral

O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), protocolou na noite desta quinta-feira (8) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa questiona a atuação de uma rede de perfis nas redes sociais que, segundo a campanha do senador, estaria promovendo desinformação para prejudicar sua candidatura no segundo turno das eleições de 2026.
A ação, composta por 196 páginas, apresenta denúncias sobre a existência de uma estrutura digital organizada para disseminar conteúdos negativos contra Flávio Bolsonaro. Os advogados do candidato afirmam que a estratégia buscaria influenciar o eleitorado por meio de informações falsas ou descontextualizadas, caracterizando o que classificam como uma “campanha do medo”.
Entre os conteúdos questionados estão publicações que associam Flávio Bolsonaro a propostas de privatização do Sistema Único de Saúde (SUS), extinção do 13º salário e congelamento das aposentadorias. A defesa sustenta que essas afirmações não correspondem às propostas apresentadas pelo candidato e estariam sendo utilizadas para provocar insegurança entre os eleitores.
Segundo a petição, a disseminação das mensagens ocorreria principalmente pelo Instagram, utilizando o recurso de publicações compartilhadas, conhecido como collab. A ferramenta permite que uma mesma postagem apareça simultaneamente em diferentes perfis, ampliando seu alcance e potencializando a circulação dos conteúdos.
Os representantes jurídicos de Flávio Bolsonaro argumentam que o funcionamento dessa rede ultrapassaria a manifestação política individual e apresentaria características de uma operação coordenada. Para a defesa, a repetição das mensagens e a utilização de diferentes contas indicariam uma estratégia organizada de comunicação eleitoral.
Diante das alegações, a campanha do candidato do PL solicitou ao TSE a adoção de medidas liminares urgentes, incluindo a suspensão de 32 perfis apontados na investigação. O objetivo declarado é interromper a circulação dos conteúdos questionados enquanto a Justiça Eleitoral analisa o caso.
A ação também pede a remoção das publicações identificadas pela defesa, com previsão de multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento de eventual determinação judicial. Os advogados argumentam que a permanência das mensagens nas plataformas poderia ampliar os efeitos da alegada desinformação durante o período decisivo da campanha presidencial.
Além das providências imediatas, a defesa solicita, no julgamento definitivo da ação, a cassação da chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. O pedido se fundamenta na alegação de abuso de poder eleitoral, cuja configuração dependerá da análise das provas e do entendimento da Justiça Eleitoral.
Procurada pela CNN Brasil, a equipe jurídica de Lula informou que ainda não havia sido formalmente notificada sobre o processo. Até aquele momento, portanto, não havia manifestação de mérito da defesa do presidente sobre as alegações apresentadas na ação.
O caso acrescenta um novo capítulo à disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula, marcada por embates políticos e questionamentos sobre a circulação de informações nas plataformas digitais. Caberá ao TSE avaliar os documentos apresentados, decidir sobre os pedidos urgentes e determinar se existem elementos suficientes para responsabilização eleitoral. As alegações da campanha de Flávio Bolsonaro ainda dependem de apreciação judicial e não representam conclusões definitivas sobre a atuação da campanha adversária.
Foto: Divulgação
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