Dirigentes do PT apontam falhas na articulação política e na estratégia de campanha após o resultado do primeiro turno.
O clima de tensão nos bastidores do Partido dos Trabalhadores (PT) ganhou força após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (8) pela coluna de Cláudio Humberto, no Diário do Poder, dirigentes petistas passaram a responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo desempenho eleitoral diante de Flávio Bolsonaro (PL).
A reportagem revela um cenário de divergências internas, marcado por cobranças e críticas entre integrantes do governo e da direção nacional do partido. O resultado das urnas teria provocado uma revisão das estratégias adotadas durante a campanha presidencial.
De acordo com a coluna, Lula demonstrou insatisfação com a organização da campanha e direcionou críticas ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, responsável pela coordenação política da legenda. Durante uma reunião partidária, a transmissão realizada pelo YouTube do partido chegou a ser interrompida.
As cobranças do presidente, entretanto, provocaram reações entre dirigentes petistas. Integrantes da legenda passaram a questionar a própria condução política de Lula, apontando que o presidente também teria responsabilidade pelas dificuldades enfrentadas durante a disputa eleitoral.
Um dirigente ligado a Edinho Silva afirmou à coluna que Lula subestimou os riscos da eleição. Segundo a fonte, o presidente acreditava que sua reeleição não estava ameaçada e só teria percebido a dimensão da disputa quando acompanhou a apuração dos votos pela televisão.
Entre as críticas relatadas estão a falta de articulação com aliados, o distanciamento de lideranças políticas e a ausência de uma estratégia mais ampla para fortalecer a candidatura presidencial. Dirigentes também questionam a condução das alianças partidárias ao longo do processo eleitoral.
Outro ponto de insatisfação envolve o chamado varejo político, expressão utilizada para descrever as negociações e o acompanhamento cotidiano das relações com parlamentares, partidos e lideranças regionais. Segundo os relatos, essa articulação não recebeu a atenção necessária durante a campanha.
As divergências também alcançam a comunicação do governo e a estratégia eleitoral. Reportagens de outros veículos apontam questionamentos internos sobre a capacidade da campanha de dialogar com as preocupações da população, especialmente em temas relacionados ao custo de vida.
O próprio Lula reconheceu publicamente problemas na organização da disputa eleitoral, afirmando que a campanha poderia ter feito mais. As declarações ampliaram o debate interno sobre as responsabilidades pelo desempenho do partido e os ajustes necessários para a próxima etapa da eleição.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, o PT enfrenta o desafio de reorganizar sua campanha enquanto tenta administrar as divergências internas. As críticas reveladas pela coluna do Diário do Poder mostram que, além da disputa contra Flávio Bolsonaro, Lula precisa lidar com questionamentos dentro da própria legenda em um momento decisivo da corrida presidencial.
Foto: O Globo