Em meio à grave poluição atmosférica provocada pela fumaça das queimadas em Manaus, texto questiona a ausência de manifestações de artistas e celebridades que já defenderam a Amazônia e cobra mobilização pública, fiscalização e medidas efetivas para combater a crise ambiental
Manaus enfrenta um grave episódio de poluição atmosférica, com a fumaça das queimadas encobrindo a cidade e comprometendo a qualidade do ar. Segundo reportagem do Poder360, os índices chegaram a níveis considerados péssimos, expondo a população aos riscos provocados pela concentração de partículas poluentes. O cenário preocupa especialmente crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios, que podem sofrer consequências ainda mais graves diante da exposição prolongada à fumaça.
A situação reacende o debate sobre a preservação da Amazônia e a necessidade de medidas efetivas para combater as queimadas e proteger a população. Além dos impactos ambientais, a poluição representa um problema de saúde pública que exige atenção das autoridades e ações coordenadas. Em meio à crise, moradores de Manaus enfrentam as consequências de um problema que ultrapassa os limites da floresta e atinge diretamente a vida cotidiana de milhares de pessoas.
Diante desse cenário, uma pergunta merece ser feita: onde estão os artistas, as celebridades da Globo e os famosos que, em outras ocasiões, levantaram a bandeira da Amazônia? A ironia está no contraste entre a intensidade de determinadas manifestações públicas em defesa do meio ambiente e a percepção de que, em momentos como este, nem sempre a mesma mobilização ganha destaque. Se a preocupação com a floresta é genuína, a situação atual também merece manifestações, cobranças e campanhas de conscientização.
A crítica se estende aos setores da esquerda que fizeram da defesa ambiental uma das principais bandeiras de seu discurso político. Por que não transformar a gravidade da situação em uma grande mobilização nacional, com cobranças públicas, campanhas nas redes sociais e pressão por medidas concretas? A proteção da Amazônia deveria estar acima de disputas partidárias, e a cobrança por resultados precisa valer independentemente de quem ocupa o poder.
Também é legítimo questionar o papel dos artistas beneficiados por recursos públicos destinados à cultura, incluindo projetos financiados por mecanismos como a Lei Rouanet. Ter acesso a visibilidade, recursos e grandes plataformas de comunicação não cria uma obrigação de adotar determinada posição política, mas oferece a possibilidade de contribuir para debates de interesse coletivo. Quando a qualidade do ar chega a níveis alarmantes, usar a influência pública para chamar atenção ao problema seria uma contribuição relevante.
No fim, a Amazônia não precisa apenas de discursos emocionados, fotografias de impacto ou manifestações ocasionais: precisa de prevenção, fiscalização, combate às queimadas e políticas ambientais eficazes. A fumaça não escolhe partido, não respeita ideologia e não poupa quem vive na região. Por isso, a defesa da floresta deve ser permanente, e não uma bandeira acionada apenas quando existe conveniência política. O silêncio de determinadas figuras públicas pode ser questionado, mas a prioridade deve continuar sendo proteger o meio ambiente e garantir que a população de Manaus possa respirar um ar saudável.
Texto: @fabiianobraga
Foto: Reprodução