ALCOLUMBRE SINALIZA VOTAÇÃO DE PEC QUE LIMITA MANDATOS NO STF DE OLHO NA REELEIÇÃO

REDAÇÃO

Presidente do Senado admite possibilidade de pautar proposta que prevê mandatos fixos para ministros do Supremo, enquanto articula apoio para continuar no comando da Casa em 2027.

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizou a parlamentares da oposição que pode colocar em votação uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece mandatos com prazo determinado para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ocorre em meio às articulações políticas para a eleição da Mesa Diretora, prevista para fevereiro de 2027, quando o senador pretende buscar a reeleição ao comando da Casa.
Atualmente, os ministros do STF permanecem nos cargos até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos, salvo outras hipóteses constitucionais de saída. A proposta em discussão pretende substituir esse modelo por mandatos com duração definida, com a possibilidade de adoção de um período de oito anos, conforme os textos debatidos sobre o tema.
A sinalização de Alcolumbre representa um movimento relevante diante das cobranças de setores da oposição por mudanças no funcionamento do Supremo. Parlamentares de direita têm defendido medidas para alterar a estrutura do tribunal, incluindo a limitação do tempo de permanência dos ministros e mudanças nos mecanismos de controle sobre a atuação da Corte.
Nos bastidores do Congresso, a possibilidade de pautar a PEC também é interpretada como parte da estratégia de Alcolumbre para ampliar sua base de apoio. Ao abrir espaço para uma pauta defendida pela oposição, o presidente do Senado pode reduzir resistências à sua recondução ao cargo e fortalecer sua posição na disputa pela liderança da Casa.
A articulação ocorre em um cenário de fortalecimento da direita no Legislativo e de pressão por mudanças na relação entre o Congresso e o Judiciário. Para parte dos parlamentares oposicionistas, a criação de mandatos fixos poderia contribuir para estabelecer limites temporais mais claros para a atuação dos integrantes do Supremo.
A proposta, no entanto, não é nova. O Senado já discute iniciativas sobre a limitação dos mandatos de ministros há vários anos, incluindo uma proposta apresentada em 2019 pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM). A retomada do assunto demonstra que o tema continua presente na agenda de setores do Congresso, embora sua eventual aprovação dependa de articulação política e do cumprimento das etapas legislativas.
A movimentação também ocorre em meio à disputa interna por espaço na próxima eleição da presidência do Senado. Nomes como Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) foram mencionados como possíveis concorrentes, o que aumenta a importância das negociações com diferentes bancadas para a formação de uma maioria.
Outro elemento importante é o apoio formal da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, à reeleição de Alcolumbre. Esse respaldo fortalece sua posição, mas não elimina a necessidade de negociar com outras legendas e administrar as divergências sobre pautas prioritárias para o próximo período legislativo.
Apesar da sinalização, ainda não há garantia de que a PEC será efetivamente colocada em votação nem de que o texto receberá apoio suficiente para avançar. Uma mudança constitucional exige aprovação em dois turnos no Senado e na Câmara dos Deputados, com pelo menos três quintos dos votos dos integrantes de cada Casa em cada votação.
A eventual aprovação de mandatos fixos para ministros do STF poderia alterar significativamente a composição futura do tribunal e a dinâmica de indicação de seus integrantes. O formato dos mandatos, as regras de transição e os critérios para escolha dos ministros seriam pontos centrais de uma discussão que exigiria amplo debate político e jurídico.
Nesse contexto, a sinalização de Alcolumbre reúne dois movimentos: a retomada de uma pauta defendida pela oposição e a construção de apoio para sua permanência no comando do Senado. A possibilidade de votação ainda depende de decisões formais e de negociações entre os partidos, mas o tema já se apresenta como uma das questões relevantes na preparação para a disputa política de 2027.
Foto: STF