Levantamento do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável aponta milhares de endereços suspeitos na internet e levanta dúvidas sobre a eficácia da fiscalização e a migração de usuários para plataformas clandestinas
A proibição das apostas esportivas no Brasil não impediu a continuidade da oferta de jogos de azar pela internet. Um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), por meio do sistema de monitoramento LegitBet, identificou 60.477 endereços eletrônicos suspeitos de oferecer apostas ilegais no país.
O monitoramento ganhou força após o governo federal publicar uma medida provisória proibindo a exploração e a publicidade das chamadas bets em território nacional. A iniciativa tinha como objetivo interromper esse mercado, mas o levantamento aponta que milhares de páginas continuam sendo identificadas na internet.
Segundo o IBJR, os números representam o total de endereços eletrônicos mapeados pelo sistema, e não necessariamente a criação de 60 mil novos sites depois da proibição. Muitas plataformas utilizam diferentes domínios para continuar funcionando mesmo após o bloqueio de seus endereços anteriores.
Entre as estratégias identificadas estão a utilização de links alternativos, ofertas de bônus por indicação, jogos de caça-níqueis virtuais e pagamentos por Pix. Para realizar os cadastros, algumas páginas também solicitam informações pessoais, como CPF e número de telefone.
Outra preocupação envolve a utilização indevida de marcas conhecidas do setor de apostas. Plataformas clandestinas reproduzem logotipos, nomes e identidades visuais de empresas legítimas para atrair usuários e transmitir uma falsa sensação de segurança.
De acordo com o levantamento e as denúncias recebidas pelo setor, algumas dessas páginas funcionam como portas de entrada para golpes financeiros e roubo de dados pessoais. O usuário acredita estar acessando uma plataforma conhecida, mas pode acabar direcionado para ambientes digitais fraudulentos.
A divulgação desses endereços ocorre principalmente por meio de grupos automatizados nas redes sociais e canais de transmissão do Telegram. Esses mecanismos facilitam a circulação de links clandestinos e dificultam o trabalho de identificação e bloqueio das páginas.
O caso levanta questionamentos sobre a eficácia da proibição adotada pelo governo federal. Embora a medida tenha restringido oficialmente a atividade, a identificação de dezenas de milhares de endereços suspeitos demonstra que a fiscalização enfrenta desafios para impedir a atuação de operadores clandestinos.
Outro ponto importante é o comportamento dos apostadores. A proibição das plataformas regulamentadas não significa necessariamente que os usuários abandonaram o hábito de apostar. Parte deles pode ter migrado para sites sem autorização, nos quais há menos garantias de proteção ao consumidor e segurança financeira.
Diante desse cenário, fica a pergunta: quem já tinha o hábito de apostar deixou de apostar após a proibição das bets ou apenas migrou para plataformas clandestinas? Afinal, a medida conseguiu acabar com as apostas ou apenas mudou o ambiente em que elas acontecem?
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