Ex-prefeito apresentou ação ao TRE-RJ apontando supostas irregularidades na campanha de Douglas Ruas e Fernanda Louback, incluindo desinformação e possível compra de votos; acusações ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral
O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) nesta quarta-feira (4) e pediu a cassação da chapa do governador eleito Douglas Ruas (PL) e de sua vice, Fernanda Louback. A iniciativa foi formalizada por meio de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), que questiona a legalidade da campanha vencedora.
A representação apresentada pela coligação de Paes aponta uma série de supostas irregularidades eleitorais que, segundo os advogados, teriam influenciado o resultado da disputa pelo governo fluminense. Entre as acusações estão práticas de desinformação, manipulação do eleitorado e possíveis esquemas de compra de votos.
Um dos principais pontos da ação envolve a produção e distribuição de aproximadamente 100 mil panfletos com o título “DOUGLAS RUAS – EVANGÉLICO”. Segundo a acusação, o material apresentava informações falsas sobre Eduardo Paes, associando o ex-prefeito a pautas como a liberação de drogas e do aborto, em uma estratégia que teria como objetivo influenciar o eleitorado religioso.
Outro questionamento envolve materiais impressos identificados como “RIO ESCOLHE”, que teriam associado o número 13, utilizado pelo PT, à candidatura de Eduardo Paes. Entretanto, o número oficial do ex-prefeito na disputa era 55, pelo PSD. A coligação sustenta que a divulgação teria confundido eleitores e provocado votos nulos.
De acordo com os argumentos apresentados, mais de 204 mil eleitores digitaram o número 13 na urna eletrônica para governador. A campanha de Paes afirma que esses votos poderiam ter alterado o cenário eleitoral e levado a disputa para o segundo turno, embora essa relação ainda dependa de análise judicial.
A ação também menciona a distribuição de santinhos que exibiam o nome e a fotografia de Eduardo Paes ao lado do número 22, pertencente a Douglas Ruas. Para a equipe jurídica do ex-prefeito, esse tipo de material teria provocado confusão entre os eleitores e prejudicado sua candidatura.
As suspeitas de compra de votos também aparecem na representação. Os advogados citam apreensões de dinheiro em espécie durante o período eleitoral, incluindo o caso de R$ 600 mil encontrados com a filha da deputada Soraya Santos, além de relatos publicados nas redes sociais sobre supostas ofertas de R$ 50 a R$ 200 em troca de votos.
Diante das acusações, Eduardo Paes solicita que a Justiça Eleitoral investigue os episódios e determine a cassação dos diplomas da chapa formada por Douglas Ruas e Fernanda Louback. A representação também pede que o governador eleito seja declarado inelegível pelo período de oito anos, caso as irregularidades sejam comprovadas.
O TRE-RJ confirmou o recebimento da ação, mas ainda não apresentou uma decisão sobre o mérito do processo. Portanto, as acusações permanecem sob análise e não representam, até o momento, uma condenação ou comprovação judicial de irregularidades cometidas pela chapa eleita.
Paralelamente, a disputa também envolve outra frente jurídica no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o PSD tenta questionar a decisão que validou a vitória de Douglas Ruas em primeiro turno após o indeferimento da candidatura de Anthony Garotinho. O caso amplia a batalha judicial em torno do resultado eleitoral no Rio de Janeiro.
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