Tratativas entre Washington e Caracas envolvem um acordo jurídico para regulamentar a permanência de tropas americanas na Venezuela, em meio à transição política do país e à proximidade com a fronteira brasileira
O governo de Donald Trump negocia com a Venezuela um acordo jurídico que poderá permitir a permanência de militares americanos em território venezuelano por um período prolongado. As tratativas foram reveladas pelo jornal The New York Times e envolvem a possibilidade de ampliar a presença dos Estados Unidos no país sul-americano.
As negociações envolvem a criação de um Acordo de Status de Forças, conhecido pela sigla SOFA. Esse instrumento jurídico estabelece as condições para a atuação de militares estrangeiros em outro território, incluindo direitos, responsabilidades e imunidades durante o período de permanência.
O Departamento de Estado americano conduz as conversas sob a liderança de Marco Rubio. O objetivo é estabelecer uma estrutura jurídica que permita organizar uma eventual atuação de tropas americanas na Venezuela, caso os dois governos avancem nas tratativas.
A iniciativa ocorre após uma série de mudanças políticas no território venezuelano, incluindo a captura de Nicolás Maduro durante uma operação militar dos Estados Unidos. Desde então, Washington e Caracas passaram a discutir novos entendimentos diplomáticos e estratégicos.
Segundo as informações divulgadas, uma possível presença militar americana teria como finalidade oferecer apoio à transição política venezuelana, atualmente conduzida pela presidente interina Delcy Rodríguez.
Apesar das negociações, ainda não existe confirmação de um acordo definitivo para a instalação de bases militares permanentes dos Estados Unidos na Venezuela. Também não foram estabelecidos publicamente o número de soldados que poderiam atuar no país ou os locais destinados à presença das tropas.
O modelo de acordo discutido pelos dois governos é semelhante a instrumentos utilizados pelos Estados Unidos em outros países. Esse tipo de mecanismo permite definir previamente as condições jurídicas para a permanência e a atuação de integrantes das Forças Armadas americanas em território estrangeiro.
As conversas também fazem parte de uma reaproximação entre Washington e Caracas, que envolve questões diplomáticas, econômicas e energéticas. Entre os assuntos discutidos estão o relacionamento institucional e novos entendimentos relacionados ao setor petrolífero venezuelano.
A possibilidade de uma presença militar americana na Venezuela chama a atenção do Brasil, já que os dois países compartilham aproximadamente 2.200 quilômetros de fronteira terrestre. A região de Roraima é o principal ponto de ligação entre os territórios brasileiro e venezuelano.
Por causa da proximidade geográfica, as negociações entre Trump e o governo venezuelano representam um tema de interesse para a política externa brasileira e para os países da América do Sul. Qualquer mudança na presença militar estrangeira na região poderá gerar novos debates diplomáticos sobre segurança, soberania e equilíbrio geopolítico no continente.
Foto: O Globo