PARAGUAI TEVE UMA ÚNICA LIQUIDAÇÃO BANCÁRIA EM 23 ANOS, ENQUANTO BRASIL ACUMULA 17 FECHAMENTOS SÓ EM 2026

REDAÇÃO

Crise envolvendo o Ueno Bank marcou o sistema financeiro paraguaio após mais de duas décadas sem liquidações, enquanto o Brasil registrou 17 encerramentos de instituições financeiras em 2026, incluindo o caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro

O contraste entre os sistemas financeiros do Brasil e do Paraguai chama atenção diante das recentes crises bancárias enfrentadas pelos dois países. Enquanto o Paraguai registrou sua primeira liquidação extrajudicial de um banco em 23 anos, o Brasil contabilizou 17 liquidações de instituições financeiras somente em 2026.
No Paraguai, o colapso do Ueno Bank provocou uma crise sem precedentes nas últimas duas décadas. A instituição financeira representava um dos principais nomes do setor bancário do país, e seu fechamento surpreendeu o mercado e levantou questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro.
A última grande crise bancária paraguaia havia ocorrido entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, período marcado pelo fechamento de diversas instituições financeiras. Desde então, o país não havia enfrentado uma liquidação bancária de proporções semelhantes.
O episódio envolvendo o Ueno Bank também ganhou dimensão política. A crise provocou questionamentos sobre possíveis relações entre integrantes do governo e a instituição financeira, colocando o então presidente Santiago Peña no centro de uma forte turbulência institucional.
No Brasil, o cenário foi diferente. O sistema financeiro enfrentou uma sequência de intervenções e liquidações extrajudiciais ao longo de 2026, chegando à marca de 17 instituições fechadas, em um dos períodos mais movimentados para a fiscalização bancária dos últimos anos.
O principal episódio dessa crise envolveu o Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A instituição entrou no centro de um escândalo após a descoberta de suspeitas de fraudes bilionárias, provocando repercussões em diferentes segmentos do mercado financeiro.
A crise também levantou preocupações sobre possíveis efeitos de contágio no mercado de crédito. Instituições financeiras de diferentes portes passaram a enfrentar questionamentos sobre liquidez, operações e exposição a riscos, aumentando a pressão sobre os mecanismos de fiscalização.
Diante desse cenário, o Banco Central do Brasil intensificou sua atuação sobre instituições consideradas problemáticas, adotando medidas de intervenção e liquidação extrajudicial com o objetivo de preservar a estabilidade financeira e reduzir riscos para os consumidores e investidores.
A diferença entre os dois países está principalmente na dimensão e nas consequências das crises. Enquanto o Paraguai foi profundamente abalado politicamente por uma única liquidação bancária após 23 anos sem episódios semelhantes, o Brasil enfrentou uma sequência de 17 fechamentos em apenas um ano.
Os dois casos mostram como problemas no sistema financeiro podem ultrapassar os limites do mercado bancário e atingir a política, a confiança dos investidores e a economia. No Paraguai, a crise do Ueno Bank desencadeou uma turbulência institucional; no Brasil, a sequência de liquidações evidenciou os desafios de fiscalização e controle de riscos no setor financeiro.
Foto: PR