Contrato com a Octopus Comunicação inclui ações institucionais; lançamento gerou repercussão nas redes
Enquanto o país enfrenta desafios econômicos e discussões sobre os custos da máquina pública, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantém um contrato milionário com uma agência de publicidade que, desta vez, resultou na criação da mascote “Pilili”. O personagem, lançado recentemente, acabou virando alvo de críticas e memes nas redes sociais.
Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles e confirmadas em documentos oficiais, a agência Octopus Comunicação, sediada em Santo André (SP), recebe cerca de R$ 6 milhões por ano do TSE. O contrato está em vigor desde 2022, após a concorrência pública nº 2/2021, e prevê a realização de campanhas institucionais e serviços de publicidade para o tribunal. Apenas em 2026, o TSE já empenhou aproximadamente R$ 5,4 milhões relacionados a esse acordo.
A mascote Pilili foi apresentada no dia 4 de maio de 2026, durante um evento comemorativo pelos 30 anos da urna eletrônica no Brasil. Inspirada no som emitido pela tecla de confirmação do voto, a personagem foi criada com o objetivo de aproximar o público jovem das eleições e incentivar a participação democrática.
Apesar da proposta educativa, a recepção nas redes sociais foi majoritariamente negativa. Internautas transformaram a mascote em meme rapidamente, fazendo piadas sobre sua aparência e questionando a necessidade do investimento em um momento de dificuldades econômicas e cobranças por maior eficiência no uso do dinheiro público.
Críticos afirmam que o valor gasto em publicidade pela Justiça Eleitoral é excessivo, especialmente quando campanhas como a da Pilili acabam gerando mais deboche do que engajamento positivo. Embora o contrato da Octopus também inclua outras ações institucionais, como a campanha “Partiu Votar”, o custo anual de R$ 6 milhões para uma única agência reacendeu debates sobre prioridades e transparência nos gastos públicos.
O TSE costuma argumentar que todas as contratações seguem os trâmites legais previstos em licitação e que campanhas de comunicação são fundamentais para conscientizar a população sobre a importância do voto e da democracia. Já a agência Octopus Comunicação não comentou publicamente as críticas envolvendo a mascote.
O episódio reforça uma discussão recorrente sobre os gastos da Justiça Eleitoral com publicidade em anos eleitorais. Para muitos, o foco deveria estar na melhoria dos serviços e na transparência do processo democrático, e não em campanhas que acabam gerando repercussão negativa nas redes sociais.
Foto: Alejandro Zambrana