PGR: PAULO GONET RECEBE PEDIDO DO PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE PARA INVESTIGAR MARIO FRIAS.

REDAÇÃO

PSOL aciona PGR contra Mario Frias e reacende debate sobre seletividade política de Paulo Gonet

Brasília – A Procuradoria-Geral da República, chefiada por Paulo Gonet, recebeu nesta segunda-feira, 25 de maio, uma representação protocolada pelo deputado Chico Alencar, do PSOL do Rio de Janeiro, com o apoio da bancada do PT na Câmara. O documento pede a abertura de investigação contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) por supostas práticas de rachadinha em seu gabinete. A denúncia baseia-se em reportagem do G1 que trouxe comprovantes de uma ex-assessora, Gardênia Morais, segundo a qual ela devolvia parte do salário, pagava contas pessoais da família do deputado e fazia transferências para parentes dele.
De acordo com a representação, os fatos podem configurar crimes como peculato, concussão, corrupção passiva e até organização criminosa. Como Frias possui foro privilegiado, cabe à PGR analisar o material e decidir se apresenta denúncia ao Supremo Tribunal Federal ou arquiva o caso.
O caso expõe novamente o uso recorrente de representações criminais como instrumento político no Congresso. O PSOL, partido que historicamente se posiciona como defensor de pautas éticas e de combate à corrupção, tem sido acusado de seletividade ao priorizar alvos de oposição enquanto minimiza ou ignora denúncias semelhantes envolvendo seus aliados ou figuras da esquerda. Essa prática contribui para o desgaste da credibilidade das instituições, transformando a Procuradoria em arena de disputas partidárias em vez de órgão técnico imparcial.
Paulo Gonet, por sua vez, enfrenta críticas consistentes sobre a condução da PGR. Parlamentares e analistas apontam uma suposta seletividade na atuação do procurador-geral, com maior agilidade em casos que envolvem adversários do governo ou da cúpula do Judiciário e lentidão ou omissão em investigações que tocam interesses de aliados ou de ministros do Supremo. Essa percepção de parcialidade, reforçada por editoriais recentes de veículos como o Estadão, enfraquece a imagem da instituição e alimenta o argumento de que a Procuradoria atua mais como extensão política do que como guardiã independente da lei.
Mario Frias ainda não se manifestou detalhadamente sobre as novas acusações. Sua defesa deverá ter a oportunidade de apresentar contraprovas e esclarecimentos à PGR. Enquanto isso, o Conselho de Ética da Câmara também deve receber pedidos de apuração paralela.
O episódio reforça o debate sobre a necessidade de maior transparência nos gabinetes parlamentares e de mecanismos que reduzam o foro privilegiado, evitando que investigações de desvios de recursos públicos fiquem reféns de timing político ou conveniências partidárias. Cabe agora a Gonet demonstrar que a PGR age com isenção, independentemente da cor do partido envolvido.
Foto: TSE