PF RECEBE MENSAGENS EM QUE “CARECA DO INSS” CITA ATUAL ASSESSOR DE LULA EM CONVERSAS SOBRE O MINISTÉRIO DA SAÚDE

REDAÇÃO

Diálogos atribuídos a Antônio Carlos Camilo Antunes mencionam Swedenberger Barbosa, o Berger, em contatos realizados quando ele era secretário-executivo do Ministério da Saúde; investigação apura a natureza das reuniões e possíveis articulações envolvendo cannabis medicinal.

Mensagens atribuídas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e entregues à Polícia Federal mencionam diretamente Swedenberger Barbosa, o “Berger”, atual chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal da Presidência da República.
As conversas teriam ocorrido quando Berger ainda ocupava a função de secretário-executivo do Ministério da Saúde. O material passou a integrar as informações analisadas no contexto das investigações relacionadas ao empresário e às suas articulações em Brasília.
Em uma mensagem de novembro de 2024, o Careca do INSS teria encaminhado a um interlocutor uma comunicação de terceiro afirmando que Berger já estava com uma “orientação em mãos”. A resposta recebida pelo empresário teria sido “show”.
Outro diálogo, de dezembro de 2024, também chama atenção. Em um grupo corporativo ligado à empresa Cannabis World, voltada ao setor de cannabis medicinal, o empresário teria informado aos participantes sobre uma “reunião com Berger às 10:30”.
Segundo as informações apresentadas sobre o caso, esse compromisso não teria aparecido na agenda oficial do então secretário-executivo do Ministério da Saúde. A eventual ausência do encontro na agenda, entretanto, não comprova por si só a existência de irregularidade.
Um colaborador teria relatado à Polícia Federal que o Careca do INSS recorria a Berger como um importante canal de interlocução dentro do Ministério da Saúde. A investigação busca esclarecer a natureza desses contatos e os interesses envolvidos nas aproximações.
Uma das linhas sob apuração envolve possíveis tentativas do grupo de abrir portas no governo para negócios relacionados a produtos de canabidiol e cannabis medicinal, inclusive diante da possibilidade de comercialização ou fornecimento ao poder público.
O nome de Berger também aparece no contexto das investigações envolvendo a lobista Roberta Luchsinger. Reportagens apontam que investigadores receberam relatos sobre conexões entre integrantes desse grupo e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
Berger, por sua vez, já admitiu ter realizado uma reunião com o empresário, mas afirmou que o Ministério da Saúde não teve interesse comercial nos produtos apresentados. As defesas dos demais citados também têm negado participação em ilegalidades ou esquemas de desvios.
As mensagens agora integram um conjunto de elementos que pode ajudar a Polícia Federal a reconstruir as relações e contatos mantidos pelo Careca do INSS em diferentes setores do governo. A simples citação de uma pessoa em mensagens ou a realização de reuniões não demonstra envolvimento em crime, e caberá às autoridades determinar se os contatos tiveram alguma relação com eventuais irregularidades investigadas.
Foto: Ministério da saúde