Laudo particular apresentado pela produtora afirma que os recursos do filme tiveram origem privada e aponta investidores dos Estados Unidos; investigações sobre a origem e a destinação do dinheiro continuam em andamento.
O filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, teve seu financiamento alvo de apuração e de uma perícia privada.
A GoUp Entertainment, produtora responsável pelo longa-metragem, anexou ao inquérito da Polícia Civil de São Paulo um laudo técnico elaborado pelo perito Anísio Costa Castelo. Segundo a defesa, o documento aponta que não houve uso de dinheiro público, Lei Rouanet, repasses da Prefeitura de São Paulo ou do Instituto Conhecer Brasil, e que os recursos teriam origem privada.
O relatório apresentado pela produtora declara custo total de US$ 13,3 milhões, cerca de R$ 75 milhões, sendo US$ 9,6 milhões investidos em etapas nos Estados Unidos e US$ 3,7 milhões no Brasil. A produtora indica o fundo americano Havengate Development e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, como principais aportadores, com quase 100% dos recursos.
O outro lado da apuração:
– A Polícia Federal e o Ministério Público investigam a origem e destinação dos recursos. O inquérito tramita no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, e apura se houve desvio de finalidade de emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à produtora.
– A Ancine concedeu o Registro de Obra Estrangeira ao filme, etapa preliminar, mas abriu processo administrativo contra a GoUp por gravações no Brasil sem comunicação prévia exigida para obra estrangeira, sujeita a multa de R$ 2 mil a R$ 100 mil. A Ancine ainda analisa Certificado de Registro de Título e classificação indicativa.
– O ministro Flávio Dino autorizou compartilhamento de dados da investigação da Polícia Civil de São Paulo com a PF.
– Em nota pública, Flávio Bolsonaro afirmou que a prestação de contas já foi apresentada pela produtora e que os repasses de Vorcaro correspondem a negociação privada.
As investigações seguem em curso, sem indiciamento até o momento. O laudo juntado é uma perícia particular contratada pela produtora e será avaliado pelas autoridades junto a notas fiscais, transferências e demais documentos.
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