Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação apontam 52 entradas de Lurian Cordeiro no Planalto entre 2023 e 2025, acima dos registros de Lulinha
BRASÍLIA – O Palácio do Planalto enfrenta um novo desgaste nos bastidores com a revelação de que familiares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizam a estrutura governamental para atuar como intermediários de interesses políticos e regionais.
Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) revelam que Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do mandatário, registrou 52 acessos à sede do Executivo entre fevereiro de 2023 e março de 2025, superando as 18 entradas de seu irmão, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O volume de visitas de Lurian gerou desconforto no corpo técnico do governo devido ao formato das agendas. Servidores lotados na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) relataram, sob reserva, que a filha do presidente desfrutava de trânsito livre, entrando frequentemente no gabinete ministerial sem a necessidade de agendamento prévio ou registro formal de pauta.
Embora não responda a investigações criminais como o irmão — alvo da Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência com empresas privadas —, a atuação de Lurian é vista por críticos como uma privatização do espaço público para fins paroquiais. Oficialmente atuando como assessora parlamentar em Sergipe, ela utilizava o livre acesso ao coração do poder federal para despachar demandas de prefeituras aliadas e pavimentar interesses políticos de seu marido no estado nordestino.
A conduta levanta questionamentos sobre a falta de compliance e a quebra de isonomia no tratamento de demandas municipais, uma vez que prefeitos ligados à família presidencial ganham um canal preferencial de articulação que atropela a burocracia regular do Estado.
Procurada para comentar os critérios técnicos que justificaram as dezenas de reuniões sem registro, a assessoria do Palácio do Planalto não se pronunciou sobre o favorecimento familiar nas agendas.
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