PF REVELA MENSAGENS EM QUE VORCARO DIZ TER “AMIGOS” DENTRO DO BANCO CENTRAL COM INFORMAÇÕES SIGILOSAS

REDAÇÃO

Relatório aponta que Daniel Vorcaro dizia receber informações de pessoas ligadas ao Banco Central e cita grupo de WhatsApp com servidores da área de supervisão bancária

Relatórios da Polícia Federal revelam mensagens em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou ter acesso a informações internas do Banco Central por meio de pessoas que ele classificava como “amigos” dentro da instituição.
Segundo os documentos da investigação, uma das mensagens foi enviada em 30 de outubro de 2025, pouco antes da liquidação extrajudicial do Banco Master. No diálogo, Vorcaro teria relatado a um interlocutor que recebia informações de pessoas que participavam de reuniões internas do Banco Central.
Na mensagem, o banqueiro escreveu que as informações vinham de “pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados” e afirmou que esses contatos haviam participado das reuniões, garantindo que a informação era “100%”, conforme o relatório da PF.
Na mesma conversa, Vorcaro demonstrou preocupação em preservar as pessoas que, segundo ele, repassavam as informações. O banqueiro teria afirmado que não poderia “queimá-los”, pois poucas pessoas tinham conhecimento do conteúdo discutido.
A Polícia Federal passou a investigar a existência de um possível canal privilegiado entre Vorcaro e integrantes da estrutura de fiscalização do Banco Central, buscando identificar se houve compartilhamento indevido de informações sigilosas.
Durante a análise do celular do ex-banqueiro, os investigadores encontraram um grupo de WhatsApp chamado “Master”, que reunia apenas três integrantes: Daniel Vorcaro e dois servidores ligados ao Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central.
Segundo a investigação, os servidores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza teriam mantido contato frequente com Vorcaro enquanto o Banco Master enfrentava dificuldades financeiras e questões relacionadas à fiscalização.
A PF apura se esses contatos resultaram em favorecimento aos interesses privados do banco, incluindo possíveis orientações sobre documentos, movimentações internas e procedimentos de supervisão.
Os servidores investigados foram afastados de suas funções por decisão judicial, mas suas defesas negam qualquer favorecimento ilegal ou recebimento de vantagens indevidas.
Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro também negou ter recebido informações privilegiadas ou cometido irregularidades, afirmando que não houve qualquer prática de corrupção envolvendo os contatos mantidos com integrantes do Banco Central.
Foto: Agência Brasil