Segundo o Estadão, governo americano buscou incluir nas negociações comerciais mecanismos que favorecessem empresas dos EUA em ativos de mineração e minerais estratégicos brasileiros, em meio à disputa com a China pelo controle das cadeias de suprimentos
Reportagem do Estadão revela que, nas negociações comerciais com o Brasil, o governo Donald Trump buscou ampliar o acesso de empresas americanas a setores estratégicos e reduzir a dependência ocidental da China, especialmente em minerais críticos e terras raras, áreas que a própria Agência Nacional de Mineração reconhece como centrais para tecnologia, energia e segurança nacional.
A proposta americana previa que Washington fosse informado previamente sobre possíveis transferências de ativos de mineração e que empresas dos Estados Unidos tivessem oportunidade de disputar esses negócios, além de medidas contra investimentos de entidades consideradas preocupantes pelos EUA.
O movimento se insere em uma disputa geopolítica mais ampla pela segurança das cadeias de suprimentos, diante da forte concentração chinesa no refino de minerais estratégicos.
Embora o governo Lula tenha rejeitado parte das exigências e apresentado contrapropostas, a própria retomada das negociações em agosto de 2026 mostra que Brasil e Estados Unidos continuam buscando uma saída comercial, com Washington mantendo interesse em setores considerados estratégicos.
Sob essa perspectiva, as exigências de Trump podem ser interpretadas não apenas como uma disputa tarifária, mas como parte de uma estratégia americana para ampliar investimentos, diversificar fornecedores e conter a influência chinesa em áreas decisivas para a economia e a segurança do Ocidente.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação
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