Mensagens e comprovantes analisados pela Polícia Federal indicam pagamentos feitos por Roberta Luchsinger a servidores do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, em investigação que também envolve o “Careca do INSS”
A Polícia Federal identificou mensagens e comprovantes que indicam pagamentos feitos pela empresária Roberta Luchsinger a servidores do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A empresária é investigada em apurações que também envolvem Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (23), conversas encontradas no celular de Roberta mostram que ela teria orientado a realização de pagamentos em junho de 2023. Os investigadores também localizaram comprovantes de depósitos associados aos diálogos recuperados no aparelho.
Entre os destinatários mencionados pela investigação estão Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do MDS, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial do ministro Wellington Dias. A existência dos pagamentos integra a apuração da PF e, isoladamente, não comprova eventual contrapartida ou participação dos servidores em crime.
Roberta é investigada por suspeitas relacionadas a corrupção e tráfico de influência. A Polícia Federal busca esclarecer a natureza das movimentações financeiras, as relações mantidas pela empresária com agentes públicos e se houve alguma conexão entre pagamentos e interesses empresariais apresentados ao governo.
O nome de Roberta já aparecia em outra frente das investigações envolvendo o chamado “Careca do INSS”. A PF apontou anteriormente que uma empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes transferiu aproximadamente R$ 1,5 milhão para uma companhia da empresária, que nega ter cometido irregularidades.
As investigações também alcançaram a relação de Roberta com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A PF apura se Roberta teria atuado como intermediária entre Lulinha e o “Careca do INSS”, enquanto a empresária afirmou em depoimento que apresentou os dois em um contexto social e negou ter repassado recursos ao filho do presidente.
Documentos da investigação também apontaram pagamentos de aproximadamente R$ 217 mil feitos por Roberta em despesas de Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Os valores teriam sido destinados a faturas de cartão de crédito, financiamento de veículo e outros gastos durante 2024.
Marco Aurélio Ribeiro afirmou que os valores correspondiam a um empréstimo pessoal. A defesa de Roberta, por sua vez, vem negando irregularidades nas diferentes frentes da investigação e sustenta que as relações profissionais e pessoais da empresária não representam prova da prática de crimes.
Mensagens obtidas nas investigações também levaram a PF a apurar a hipótese de Fábio Luís ter participado de negócios relacionados a Antônio Carlos Camilo Antunes. Reportagens sobre o inquérito mencionam suspeitas de uma possível sociedade oculta, enquanto Roberta nega ter realizado repasses financeiros a Lulinha.
A Polícia Federal continua analisando mensagens, movimentações financeiras e relações entre empresários, lobistas e agentes públicos para determinar se os pagamentos identificados estavam associados a alguma atuação irregular dentro do governo. As informações disponíveis até agora representam elementos de uma investigação em andamento e não equivalem a uma conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal dos citados.
Foto: FolhaPress