Pesquisa PoderData/Aya aponta que 46% dos entrevistados dizem não votar em Lula de jeito nenhum, contra 43% de rejeição a Flávio Bolsonaro, em cenário que pode influenciar a disputa pelo segundo turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com rejeição numericamente superior à do senador Flávio Bolsonaro (PL) no levantamento PoderData/Aya divulgado nesta quinta-feira (8). Segundo os dados da pesquisa, 46% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto Flávio registra 43%, em um cenário que coloca o sentimento antipetista no centro das discussões sobre o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Os números representam uma mudança em relação a levantamentos anteriores, nos quais Flávio Bolsonaro aparecia com índices de rejeição semelhantes ou superiores aos do atual presidente. Na pesquisa mais recente, o candidato do PL registrou uma redução de três pontos percentuais em comparação com a rodada anterior.
A rejeição ao presidente Lula ganha relevância diante da disputa direta entre os dois candidatos. O antipetismo, sentimento de oposição ao Partido dos Trabalhadores e às suas lideranças, pode representar um componente importante na decisão de eleitores que não desejam a continuidade da legenda no comando do governo federal.
Nesse contexto, o índice de rejeição numericamente menor de Flávio Bolsonaro pode ser interpretado como um elemento favorável à sua campanha, especialmente na tentativa de conquistar eleitores que rejeitam Lula, mas que ainda não definiram seu voto para o segundo turno.
O levantamento também chama atenção para a evolução da imagem dos candidatos após o primeiro turno. Enquanto Flávio Bolsonaro apresentou redução na rejeição em relação à pesquisa anterior, Lula aparece com um percentual superior ao do adversário, embora a diferença de três pontos percentuais deva ser analisada considerando a margem de erro.
O sentimento anti-PT tem sido um dos elementos presentes nas disputas presidenciais brasileiras nos últimos anos. A rejeição à legenda pode influenciar o comportamento de parte do eleitorado, sobretudo entre aqueles que avaliam negativamente a atuação do partido e defendem uma alternância no poder.
Para a campanha de Flávio Bolsonaro, a mobilização desse eleitorado representa uma possibilidade estratégica. Entretanto, rejeitar Lula não significa necessariamente votar no candidato do PL, já que parte dos entrevistados pode optar pelo voto branco, nulo ou pela abstenção.
Por outro lado, a campanha petista enfrenta o desafio de reduzir a resistência ao presidente e ampliar sua capacidade de diálogo com eleitores que não apoiaram sua candidatura no primeiro turno. A disputa também envolve a comparação entre propostas, avaliações de governo e expectativas para os próximos quatro anos.
A pesquisa PoderData/Aya ouviu 3.000 pessoas e apresenta margem de erro de 1,8 ponto percentual. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08134/2026, conforme as informações divulgadas. Os percentuais representam um retrato das opiniões dos entrevistados no período da coleta, não uma previsão do resultado eleitoral.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, os índices de rejeição acrescentam um elemento importante à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. A rejeição numericamente maior ao presidente pode favorecer a estratégia de mobilização antipetista do candidato do PL, mas o impacto efetivo desse sentimento sobre a votação dependerá do comportamento dos eleitores até o dia da eleição.
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