Apresentadora declarou apoio a Lula em nome dos mais vulneráveis, mas texto questiona a política de reajustes do Bolsa Família e acusa o governo de ampliar o benefício próximo à eleição por interesse eleitoral
Fátima Bernardes entrou na campanha eleitoral para pedir voto no 13 e defender um governo que, segundo ela, representa respeito, liberdade e atenção aos mais necessitados, mas o discurso esbarra em uma realidade incômoda: o mesmo governo Lula passou quase quatro anos sem reajustar o Bolsa Família e só decidiu ampliar o benefício a 17 dias da eleição, em uma medida claramente eleitoreira.
A fala da apresentadora expõe o velho contraste entre o discurso petista e a prática de seus governos: diante das câmeras, sobram palavras bonitas sobre os pobres; na reta final da eleição, aparecem medidas capazes de render dividendos políticos.
Fátima, ao pedir votos para Lula em nome dos mais vulneráveis, acaba ajudando a vender uma narrativa que precisa ser confrontada com as decisões tomadas pelo próprio governo que ela escolheu apoiar.
É fácil falar em solidariedade e justiça social em um palanque eleitoral; difícil é explicar por que a preocupação com os beneficiários do principal programa social do governo só ganhou urgência quando faltavam poucas semanas para o eleitor ir às urnas.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação
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