DÉFICIT DE R$ 3,7 BILHÕES NO PIAUÍ COLOCA RAFAEL FONTELES SOB PRESSÃO EM MEIO À POSSÍVEL IDA PARA A FAZENDA

REDAÇÃO

Contas públicas do Piauí entram no debate sobre possível indicação do governador para o Ministério da Fazenda

A possível indicação do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para assumir o Ministério da Fazenda em uma eventual reforma ministerial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou a situação fiscal do estado no centro das discussões econômicas. Reportagens da imprensa nacional apontam que o desempenho das contas públicas piauienses passou a ser observado com maior atenção pelo mercado financeiro.
O principal ponto de preocupação é a evolução do resultado primário do estado. Segundo dados citados pela Folha de S.Paulo e pelo Metrópoles, o Piauí acumulou déficit primário de R$ 3,7 bilhões durante a gestão de Fonteles, em contraste com o saldo negativo de R$ 147 milhões registrado no período anterior, conforme os números apresentados nas reportagens.
O estado também teria descumprido as metas de resultado primário em 2023 e 2025. Esses indicadores aumentaram as dúvidas sobre a capacidade da administração estadual de equilibrar receitas e despesas, especialmente diante da ampliação dos investimentos públicos e da necessidade de manter a sustentabilidade das contas no longo prazo.
Outro fator que chama a atenção é o volume de operações de crédito contratadas pelo governo estadual. De acordo com reportagem de O Globo, o Piauí acumulou R$ 15,2 bilhões em empréstimos com garantia da União desde 2023, recursos que contribuíram para financiar o ritmo de investimentos da administração de Fonteles.
Apesar das preocupações com o resultado primário, os números orçamentários também apresentam aspectos favoráveis ao governador. Segundo as reportagens, a gestão registrou superávit orçamentário acumulado de R$ 309 milhões, revertendo o déficit de R$ 886 milhões observado nos quatro anos anteriores.
A administração estadual também reduziu a participação das despesas com pessoal na receita corrente líquida. O indicador teria recuado de 42,3% em 2022 para 37,8% em 2025, movimento que pode ser apresentado como parte dos esforços para controlar os gastos correntes e ampliar a capacidade de investimento do estado.
Diante da deterioração do resultado primário, Fonteles propôs uma regra fiscal para limitar o crescimento das despesas públicas estaduais durante dez anos. A medida, aprovada no âmbito estadual, busca estabelecer maior previsibilidade para os gastos e responder às preocupações sobre a trajetória das contas públicas.
A discussão ganhou relevância porque Fonteles passou a ser citado como possível nome para comandar o Ministério da Fazenda. Sua eventual escolha colocaria sob análise nacional um modelo de gestão que combina investimentos elevados, contratação de crédito e medidas de contenção das despesas públicas.
A formação técnica do governador também aparece entre os fatores considerados na avaliação de seu nome. Formado em Matemática, com mestrado em Economia Matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), Fonteles já ocupou o cargo de secretário estadual da Fazenda antes de assumir o governo do Piauí.
O debate sobre a situação fiscal do estado, portanto, reúne indicadores distintos e exige considerar tanto o resultado primário quanto o orçamento, as despesas com pessoal e o endividamento. Caso seja escolhido por Lula para comandar a Fazenda, Fonteles deverá enfrentar questionamentos sobre como pretende conciliar investimentos públicos, controle das despesas e equilíbrio fiscal em escala nacional.
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