ESTATAIS FEDERAIS REGISTRAM DÉFICIT RECORDE DE R$ 8,5 BILHÕES NO GOVERNO LULA

REDAÇÃO

Resultado entre janeiro e setembro de 2026 é o maior para o período desde 2002, segundo o Banco Central; Correios estão entre as empresas que enfrentam dificuldades financeiras

As empresas estatais federais registraram um déficit recorde de R$ 8,5 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central na última quinta-feira (29). O resultado representa o maior rombo para o período desde o início da série histórica, em 2002.
Somente em setembro, o déficit chegou a R$ 2 bilhões, estabelecendo um novo recorde negativo para o mês. O desempenho evidencia o agravamento da situação financeira das empresas públicas federais e amplia as preocupações sobre o impacto dessas companhias nas contas do governo.
O resultado acumulado nos nove primeiros meses de 2026 já supera o déficit registrado durante todo o ano de 2024, quando as estatais fecharam o período com saldo negativo de R$ 6,73 bilhões.
Na comparação com o mesmo intervalo de 2025, a situação também apresentou piora. Naquele período, o déficit estava em aproximadamente R$ 6,3 bilhões, valor inferior ao registrado neste ano.
Entre as empresas que contribuem para o resultado negativo estão os Correios, que atravessam uma grave crise financeira e acumulam uma sequência de resultados deficitários. A situação da estatal tornou-se um dos principais exemplos das dificuldades enfrentadas por empresas públicas federais.
Além dos Correios, a lista de companhias consideradas no levantamento inclui Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev, Hemobrás e Emgepron. Essas empresas integram o grupo de estatais acompanhado pelo Banco Central para o cálculo do resultado fiscal.
O levantamento, entretanto, não inclui empresas de economia mista como Petrobras e Eletrobras, nem instituições financeiras públicas como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Por isso, os números se referem a um conjunto específico de empresas controladas pelo governo federal.
Outro dado que chama atenção está nas projeções do próprio governo. No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias encaminhado ao Congresso Nacional, a administração federal admite que as estatais devem continuar apresentando resultados deficitários até 2030.
A deterioração financeira dessas companhias também acende um alerta sobre a necessidade de eventuais aportes do Tesouro Nacional. Caso as empresas não consigam recuperar sua sustentabilidade financeira, recursos públicos poderão ser necessários para cobrir prejuízos e manter suas operações.
O novo recorde de déficit amplia a pressão sobre a política fiscal do governo Lula e coloca em evidência os desafios de gestão das empresas estatais. Com o rombo acumulado em R$ 8,5 bilhões, os resultados divulgados pelo Banco Central reforçam o debate sobre eficiência administrativa, controle de gastos e responsabilidade na utilização dos recursos públicos.
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