Conversas obtidas durante investigações sobre o Banco Master indicam tratativas para uma sociedade em empreendimento imobiliário de R$ 45 milhões, além de financiamento de R$ 22 milhões concedido pelo banco à cunhada do presidente da Câmara
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), negociou a formação de uma sociedade comercial com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em uma operação envolvendo a compra de uma área de mais de 400 hectares em João Pessoa, na Paraíba. As informações foram reveladas por reportagens publicadas nesta semana, com base em mensagens obtidas durante as investigações envolvendo o banco.
O negócio envolve uma propriedade pertencente à antiga fábrica de cimento Cimepar, avaliada em aproximadamente R$ 45 milhões. O terreno integra um projeto de desenvolvimento imobiliário chamado Nova Paraíba, que prevê a utilização de uma extensa área para futuros empreendimentos.
De acordo com as mensagens divulgadas pela imprensa, Hugo Motta e Daniel Vorcaro discutiram a possibilidade de estabelecer uma parceria comercial, incluindo a divisão de percentuais e a estruturação de uma sociedade para viabilizar o empreendimento.
As conversas indicam que o presidente da Câmara participou diretamente das tratativas e procurou Vorcaro para cobrar agilidade na liberação de recursos e na conclusão de procedimentos burocráticos relacionados à operação.
Um dos pontos que chamou atenção nas revelações foi o financiamento de R$ 22 milhões concedido pelo Banco Master à cunhada de Hugo Motta. Segundo as reportagens, os recursos foram utilizados para viabilizar a transação envolvendo a aquisição da propriedade.
Em março de 2025, Motta teria procurado Vorcaro para tratar de assinaturas e pendências necessárias à conclusão do negócio. Dias depois, o parlamentar enviou uma mensagem agradecendo ao empresário pela confiança e parceria, comemorando o cumprimento do contrato dentro do prazo estabelecido.
As mensagens também levantaram questionamentos sobre a proximidade entre o presidente da Câmara e o então controlador do Banco Master, especialmente diante das discussões sobre uma possível sociedade empresarial e da participação financeira da instituição na operação.
Apesar das conversas sobre a divisão de participações e a estruturação da parceria, as informações disponíveis não permitem confirmar se a sociedade chegou a ser oficialmente registrada. A distinção é importante porque a negociação de uma parceria não significa, necessariamente, que ela tenha sido concretizada juridicamente.
Hugo Motta negou a existência de irregularidades nas tratativas e rejeitou qualquer interpretação de que tenha utilizado sua posição política para obter vantagens particulares. O parlamentar sustenta que as mensagens não demonstram favorecimento indevido de seus interesses.
O caso ganha repercussão em meio às investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master, que já estão no centro de apurações sobre suspeitas de fraudes financeiras. A revelação das conversas amplia os questionamentos sobre as relações empresariais entre figuras políticas e o ex-banqueiro, enquanto os detalhes da negociação e a eventual formalização da sociedade permanecem sob atenção pública.
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