Ameaças atribuídas ao Comando Vermelho levaram distribuidores a suspender entregas em bairros da capital cearense, enquanto comerciantes relatam cobranças ilegais e moradores enfrentam dificuldades para comprar água mineral
As ameaças do Comando Vermelho (CV) contra comerciantes de água mineral chegaram a Fortaleza e já provocam a suspensão do fornecimento em diferentes bairros da capital cearense. A crise, que começou a ganhar repercussão no interior do estado, agora atinge a única capital governada pelo PT no Brasil, levantando preocupações sobre o avanço da atuação criminosa e seus impactos na vida da população.
Moradores de diferentes regiões da capital denunciaram dificuldades para comprar água mineral após distribuidores receberem mensagens ameaçadoras atribuídas à facção. Entre as localidades afetadas estão a Comunidade Rosalina, no Parque Dois Irmãos, Passaré, Manuel Dias Branco, Bela Vista e Pan-Americano.
Segundo as informações divulgadas, os criminosos estariam tentando impor cobranças ilegais a comerciantes e distribuidores de água mineral. Diante das ameaças, alguns estabelecimentos interromperam as atividades por medo de represálias.
A situação preocupa porque a água mineral é um produto essencial para milhares de famílias. Com a suspensão das entregas, moradores precisam procurar outros fornecedores e enfrentar dificuldades para conseguir garrafões.
O problema não está restrito a Fortaleza. No município de Banabuiú, no Sertão Central, o comércio de água mineral chegou a ficar paralisado após as ameaças atribuídas à organização criminosa.
Para tentar garantir o abastecimento da população, a prefeitura e a Polícia Militar organizaram escolta de caminhões e concentraram a comercialização dos garrafões na Praça da Matriz, sob proteção policial.
Outros municípios cearenses, como Meruoca e Caridade, também registraram impactos relacionados às ameaças. Em Meruoca, moradores chegaram a relatar dificuldades para conseguir água potável, recorrendo a poços e chafarizes.
A atuação da facção evidencia a gravidade da tentativa de interferência de organizações criminosas em atividades comerciais essenciais. Além de ameaçar trabalhadores, a imposição de cobranças ilegais compromete a liberdade dos comerciantes e prejudica diretamente os consumidores.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que o caso está sendo investigado pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). A Polícia Militar também realiza ações preventivas e ostensivas para tentar garantir a segurança dos comerciantes e normalizar as entregas.
A chegada da crise a Fortaleza amplia a preocupação com a segurança pública na capital cearense. Na única capital petista do país, moradores agora enfrentam os reflexos de ameaças criminosas até mesmo na distribuição de um produto essencial, enquanto aguardam uma resposta efetiva das autoridades para restabelecer a normalidade.
Foto: G1