BRASIL FICA ATRÁS APENAS DE VENEZUELA E BOLÍVIA E TEM TERCEIRA MAIOR DÍVIDA PÚBLICA DA AMÉRICA DO SUL

REDAÇÃO

Dados do FMI indicam que país supera 90% do pib em dívida e enfrenta desafios para conter avanço do endividamento

O Brasil registra a terceira maior dívida pública da América do Sul quando se considera a relação entre a dívida bruta do governo geral e o Produto Interno Bruto (PIB), segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Com 91,4% do PIB, o país fica atrás apenas da Venezuela, que lidera o ranking com 138,5%, e da Bolívia, com 93,7%. Essa posição coloca o Brasil à frente de nações como Suriname (cerca de 89%), Argentina (78,8%), Uruguai (66,6%), Colômbia (58,9%), Equador (53%), Chile (42,7%), Paraguai (41,7%) e Peru (32,1%), que mantêm níveis significativamente mais baixos de endividamento.
Essa realidade reflete a trajetória de crescimento contínuo da dívida brasileira nos últimos anos, acelerada especialmente após a pandemia de covid-19. De acordo com dados do Banco Central do Brasil, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) — que inclui os compromissos do governo federal, do INSS e dos governos estaduais e municipais — alcançou 79,2% do PIB em fevereiro de 2026, equivalente a R$ 10,178 trilhões. No conceito mais amplo utilizado pelo FMI, que incorpora títulos em carteira do BC, o indicador já se aproxima ou supera os 91-95% projetados para 2025/2026. O aumento é impulsionado principalmente pela apropriação de juros nominais elevados, emissões líquidas de dívida e déficits fiscais persistentes, apesar do efeito amortecedor do crescimento nominal do PIB.
Em contraste, vários vizinhos sul-americanos conseguiram manter ou reduzir sua relação dívida/PIB para patamares mais sustentáveis. O Chile e o Peru, por exemplo, figuram entre os países com melhor disciplina fiscal da região, com dívidas abaixo de 45% do PIB. Essa folga permite maior espaço para investimentos públicos, respostas a choques econômicos e acesso a financiamento internacional com custos mais baixos. Já a Argentina, apesar de apresentar dívida inferior à brasileira no momento, carrega um histórico de instabilidade, reestruturações frequentes e volatilidade que eleva o risco percebido pelos mercados. A Venezuela, por sua vez, vive uma situação atípica de colapso econômico, com dívida extremamente elevada associada a hiperinflação e sanções internacionais.
Com cinco dos 12 países da América do Sul já superando os 75% de dívida em relação ao PIB, o caso brasileiro se destaca pela combinação de grande porte econômico e endividamento crescente. Economistas e agências de rating alertam que níveis elevados de dívida aumentam a percepção de risco-país, pressionam as taxas de juros pagas pelo Tesouro Nacional e reduzem a margem de manobra para novas políticas expansivas de gasto público. Projeções do próprio FMI indicam que, sem ajustes fiscais mais robustos, a dívida brasileira pode continuar subindo, chegando perto de 95% em 2026 e aproximando-se de 98% ao final da década.
A sustentabilidade fiscal surge, portanto, como um dos principais desafios para o Brasil nos próximos anos. Enquanto países com dívidas mais controladas conseguem atrair investimentos com maior facilidade e enfrentar crises com menos pressão, o elevado endividamento brasileiro exige atenção constante do governo, do Congresso e do mercado para evitar que o custo da dívida comprometa ainda mais o crescimento econômico e o bem-estar da população. Especialistas defendem medidas como controle de gastos, reforma tributária eficiente e maior transparência fiscal para reverter essa tendência e melhorar a posição do país no contexto regional.