
Em fevereiro de 2026, poucos dias após assumir o cargo de Procurador-Geral de Justiça do Ceará, Herbet Santos (Herbert Gonçalves Santos) afirmou em entrevista ao jornal O Povo que “não tem como negar” a infiltração de facções criminosas em prefeituras e câmaras municipais no estado.
Santos detalhou que essa penetração ocorre principalmente via licitações e contratos públicos, permitindo que grupos como Guardiões do Estado (GDE), Comando Vermelho (CV) e PCC avancem do tráfico de drogas para o controle financeiro do poder público local. Ele destacou a necessidade de “atacar o coração financeiro” das facções, com foco na criação de novos Gaecos regionais e na repressão econômica desses grupos.
Segundo o procurador, facções patrocinam campanhas eleitorais, compram votos, indicam secretários, elegem vereadores e prefeitos fantoches e capturam contratos milionários em setores como obras, saúde, educação e coleta de lixo. Casos emblemáticos incluem Santa Quitéria (cassação de prefeito por interferência do CV), Choró (suspeitas de lavagem via emendas) e Morada Nova (Operação Traditori, com vereadores presos por financiamento ilícito).
Santos alerta que a infiltração não se limita ao Ceará, sendo observada também em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, onde facções financiam eleições, coagem eleitores e desviam verbas públicas. O procurador defende ações implacáveis: cassações imediatas, prisões preventivas, bloqueio de bens, inelegibilidade perpétua e reforma política que elimine o financiamento oculto de campanhas e fortaleça a fiscalização eleitoral.
Ele conclui que, enquanto facções criminosas ocupam espaços no legislativo municipal, a sociedade perde o controle de seu próprio destino, e que aceitar ou ignorar essa infiltração é cúmplice do crime organizado. O MPCE, sob a liderança de Santos, tem a oportunidade de liderar uma virada real, mas o tempo é curto, pois o crime não espera eleições — ele as compra.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
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