LULA QUEBRA O AGRO: INADIMPLÊNCIA DE PRODUTORES EXPLODE 10 VEZES E JÁ PASSA DE R$ 38 BILHÕES

REDAÇÃO

Dados do Banco Central analisados pela Agroicone mostram que a inadimplência do crédito rural acima de 90 dias saltou de R$ 3,8 bilhões em julho de 2023 para R$ 38,4 bilhões em abril de 2026, enquanto o conjunto de operações problemáticas chegou a R$ 204,9 bilhões em agosto

A situação financeira de produtores rurais brasileiros apresenta forte deterioração. Estudo da consultoria Agroicone, elaborado com base em dados do Banco Central, aponta que o saldo das operações de crédito rural em atraso há mais de 90 dias saltou de R$ 3,8 bilhões, em julho de 2023, para R$ 38,4 bilhões em abril de 2026 — uma multiplicação de aproximadamente dez vezes em menos de três anos.
O levantamento mostra que o problema vai além dos contratos já classificados como inadimplentes. As operações consideradas problemáticas — que incluem financiamentos em atraso, prorrogados, renegociados ou inadimplentes — passaram de R$ 34,1 bilhões para R$ 188,8 bilhões no período analisado.
As renegociações representam uma parcela expressiva dessa deterioração. Segundo os dados apresentados no estudo, esse grupo já superava R$ 100 bilhões e reunia mais de 410 mil operações, evidenciando a quantidade de contratos que precisaram ter suas condições revistas diante das dificuldades financeiras enfrentadas no campo.
O cenário continuou piorando depois de abril. Dados atualizados do Banco Central apontam que, em agosto de 2026, o saldo das operações inadimplentes havia alcançado R$ 48,6 bilhões. Naquele momento, a carteira total de crédito rural do sistema financeiro somava R$ 861,2 bilhões.
Considerando também atrasos, prorrogações e renegociações, o crédito rural problemático chegou a R$ 204,9 bilhões em agosto, quase 24% da carteira analisada. Desse montante, R$ 20,6 bilhões correspondiam a parcelas em atraso, R$ 30,5 bilhões a operações prorrogadas e R$ 105,1 bilhões a renegociações.
A deterioração ocorre em um ambiente marcado por diferentes pressões sobre produtores, incluindo dificuldades climáticas em algumas regiões e desafios relacionados ao financiamento da atividade. O próprio estudo da Agroicone ressalta que a situação varia conforme o porte do produtor, a região e o tipo de problema enfrentado, não permitindo uma explicação única para toda a expansão da inadimplência.
O Rio Grande do Sul é um dos exemplos dessa diferença regional. Em abril, 34,55% dos contratos ativos de crédito rural no Estado estavam classificados como problemáticos, enquanto a inadimplência propriamente dita atingia uma proporção menor. Pesquisadores destacam que atrasos, renegociações e prorrogações não devem ser tratados automaticamente como inadimplência.
Os números colocam a situação do crédito rural no centro do debate econômico e político. Críticos do governo Lula associam o avanço observado desde 2023 à condução da política econômica e cobram medidas mais efetivas para aliviar o endividamento dos produtores. Os dados, porém, demonstram a evolução da carteira de crédito e, isoladamente, não estabelecem que uma única política ou governo seja a causa do aumento.
Para a safra 2026/27, foram programados R$ 525,1 bilhões em crédito para a agricultura empresarial, montante 1,7% superior aos R$ 516,2 bilhões anunciados no ciclo anterior. Ainda assim, a expansão das operações problemáticas mantém o debate sobre acesso ao financiamento, capacidade de pagamento e condições para renegociação das dívidas rurais.
Com a inadimplência chegando a R$ 48,6 bilhões e o conjunto das operações problemáticas alcançando R$ 204,9 bilhões em agosto, o endividamento rural permanece como um dos principais pontos de atenção para o setor. A evolução dos próximos meses deverá mostrar se renegociações, melhora das condições econômicas e medidas direcionadas ao campo serão suficientes para interromper o avanço observado desde 2023.
Foto: Carlos Borges
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