Vereador Régis Rumão é preso em operação que investiga infiltração do crime organizado na política de Morada Nova

REDAÇÃO

O vereador Régis Rumão (nome completo: José Régis Nascimento Rumão), filiado ao Partido Progressista (PP) e eleito em 2024 para a Câmara Municipal de Morada Nova (CE), foi preso preventivamente no dia 12 de março de 2026 durante a Operação Traditori, deflagrada pela Polícia Federal por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE).

A investigação apura a atuação de uma organização criminosa ligada a uma facção com forte presença no Vale do Jaguaribe. Segundo os investigadores, o grupo estaria envolvido em lavagem de dinheiro — principalmente proveniente do tráfico de drogas —, ocultação de recursos ilícitos e financiamento ilegal de campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024.

De acordo com as apurações, recursos de origem criminosa teriam sido direcionados para financiar candidaturas e ampliar a influência da facção dentro do poder público local. A suspeita é de que esse mecanismo tenha sido utilizado para estabelecer relações de dependência política e garantir influência sobre decisões administrativas e contratos públicos.

Reportagens publicadas anteriormente pelo jornal O Povo, em dezembro de 2025, já mencionavam o nome do vereador em investigações conduzidas pela Polícia Civil do Ceará contra integrantes da facção Guardiões do Estado (GDE). Relatórios policiais e conversas interceptadas em 2024 teriam apontado contatos entre Rumão e suspeitos de lavagem de dinheiro ligados ao grupo criminoso.

Um relatório técnico da Delegacia Regional de Russas citou discussões envolvendo empréstimos suspeitos a políticos durante o período eleitoral de 2024, prática que, segundo investigadores, pode ser utilizada para mascarar doações ilegais de campanha.

Esses indícios contribuíram para a deflagração da Operação Traditori, que cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão autorizados pela 93ª Zona Eleitoral de Fortaleza, incluindo diligências na Câmara Municipal de Morada Nova e em outros endereços ligados aos investigados.

Até o momento, não há condenação definitiva no caso, e a investigação segue sob sigilo parcial. As autoridades apuram possíveis ligações entre agentes públicos e estruturas do crime organizado que teriam atuado para influenciar o processo eleitoral em municípios do interior do Ceará.