
Cecília Rodrigues Mota, advogada cearense e ex-presidente de associações ligadas a aposentados, é apontada como peça central no funcionamento de um esquema milionário de fraudes no INSS. Segundo as investigações, ela estruturava e administrava associações de fachada responsáveis por inserir dados falsos no sistema do instituto, permitindo a cobrança de descontos associativos não autorizados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas. Além disso, coordenava o fluxo financeiro da operação, elaborava planilhas de repasses ilícitos, utilizava contas bancárias em nome de seu escritório em diferentes estados e emitia notas fiscais por serviços inexistentes para dar aparência de legalidade ao dinheiro desviado.
O esquema também envolveria a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE), apontada como articuladora política do grupo. De acordo com a Polícia Federal, mensagens interceptadas indicam que Cecília recebia tabelas de propina com referência direta ao nome da parlamentar, que exigia percentuais elevados dos lucros do esquema. Enquanto um núcleo cuidava da parte financeira, Cecília operacionalizava as fraudes e Gorete utilizava sua influência para viabilizar os descontos indevidos e a abertura de empresas de fachada, formando uma estrutura organizada que teria desviado centenas de milhões de reais, atingindo principalmente idosos em situação de vulnerabilidade.
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