Irã executa jovens após protestos e aumenta pressão internacional sobre regime

REDAÇÃO

Condenações por “inimizade contra Deus” reacendem denúncias de violações de direitos humanos

O regime teocrático do Irã demonstrou mais uma vez sua natureza brutal e intolerante à dissidência ao enforcar, em 19 de março de 2026, os jovens Mehdi Ghasemi, Saleh Mohammadi, um lutador de apenas 19 anos que havia acusado publicamente as autoridades de tortura, e Saeid Davudi, todos condenados por “moharebeh” (inimizade contra Deus), uma acusação vaga e medieval usada sistematicamente para criminalizar protestos pacíficos ou qualquer forma de oposição ao governo. 
Essa execução, realizada em segredo no amanhecer durante a oração islâmica e anunciada pelo judiciário estatal, não passa de um ato de vingança política e intimidação coletiva: os três foram presos durante as manifestações de janeiro de 2026, submetidos a julgamentos relâmpago sem defesa adequada, confissões forçadas sob tortura e sentenças que ignoram padrões mínimos de devido processo legal, conforme denunciado por organizações como Anistia Internacional e Hengaw. 
Matar um jovem atleta por participar de um levante popular revela o pânico do regime diante de uma população que, apesar da repressão feroz, continua a rejeitar a ditadura religiosa.O contexto dessa barbárie é ainda mais alarmante: em 2025, o Irã executou pelo menos 1.500 pessoas, um aumento de cerca de 50% em relação ao ano anterior, segundo relatórios da ONU e grupos de direitos humanos com o uso da pena de morte como instrumento rotineiro de controle social, especialmente contra minorias, dissidentes políticos e até por crimes relacionados a drogas. 
As execuções de março de 2026 marcam as primeiras confirmadas ligadas aos protestos iniciados em dezembro de 2025 e intensificados em janeiro, que já resultaram em um massacre de proporções históricas: estimativas independentes, baseadas em fontes hospitalares, testemunhos e documentos vazados, apontam para mais de 43 mil manifestantes mortos pela repressão das forças de segurança, em uma carnificina que transforma o Irã em um dos regimes mais sanguinários do planeta contemporâneo. 
Enquanto o governo minimiza os números e culpa “terroristas”, a realidade expõe um Estado que responde à demanda por liberdade com balas, prisões em massa e cadafalsos públicos.Essa escalada de terror estatal não apenas viola flagrantemente o direito internacional à vida e ao julgamento justo, mas também expõe a falência moral e política da República Islâmica: ao recorrer ao enforcamento de jovens como Saleh Mohammadi para semear medo, o regime de Khamenei admite sua fragilidade e perde qualquer resquício de legitimidade. 
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Divulgação