Decisão de Alexandre de Moraes negou habeas corpus de Vladimir Timerman em caso envolvendo Nelson Tanure
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou no ano passado um recurso apresentado por Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital. O pedido era um habeas corpus que buscava trancar uma ação penal em que Timerman responde pela acusação de perseguição contra o empresário Nelson Tanure nas redes sociais.
A decisão ocorreu em maio de 2025 e foi confirmada por unanimidade pela Primeira Turma do STF em julgamento virtual realizado entre 30 de maio e 6 de junho do mesmo ano. Moraes, sorteado como relator, entendeu que não havia constrangimento ilegal nem falta de justa causa para o prosseguimento do processo, que teve origem em instâncias inferiores, incluindo o Tribunal de Justiça de São Paulo e o Superior Tribunal de Justiça.
Timerman é conhecido por ser um crítico ferrenho de Tanure e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele foi um dos primeiros a denunciar supostas irregularidades financeiras envolvendo o banco, a construtora Gafisa e fundos associados a Tanure. Em março de 2025, a Justiça de São Paulo já havia condenado Timerman em primeira instância a um ano, dez meses e quinze dias de prisão em regime aberto, além de multa, pelo crime de perseguição contra Tanure. A pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade e pagamento de dias-multa.
O caso ganhou destaque novamente em março de 2026, quando a Folha de S.Paulo publicou reportagem destacando que, no período em que Moraes analisou o recurso de Timerman, o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci, e de seus filhos defendia Vorcaro em outra ação contra o mesmo investidor. O STF informou que não havia impedimento ou suspeição legal para que Moraes atuasse como relator.
Em depoimento recente à CPI do Crime Organizado, no Senado, Vladimir Timerman afirmou que Vorcaro seria apenas um “pau-mandado” e “garoto de recados”, enquanto Nelson Tanure seria uma das cabeças principais e o verdadeiro dono do Banco Master. Segundo ele, a estrutura de controle envolveria nomes ocultos, e Vorcaro atuaria como figura de fachada para conexões políticas. Tanure nega veementemente qualquer participação societária ou controle sobre o banco, afirmando ser apenas cliente e investidor sem vínculo formal de propriedade. Investigações da Polícia Federal, como na Operação Compliance Zero, apontaram indícios de sócio oculto em estruturas complexas, mas não há comprovação judicial definitiva até o momento.
O embate entre Timerman e Tanure remonta a anos, com disputas judiciais, denúncias à CVM e ao Ministério Público Federal, além de acusações mútuas no mercado financeiro. A afirmação de que Tanure seria o dono real do Master circula em reportagens e depoimentos, mas permanece no campo das alegações sem sentença final que a confirme.
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