Disputa por delação no caso Vorcaro expõe tensão familiar e avanço das investigações
REDAÇÃO
Movimentações simultâneas por acordos de colaboração indicam corrida por benefícios e ampliam repercussão do escândalo do Banco Master
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e epicentro do escândalo bilionário que drenou recursos públicos via fraudes em carteiras podres, apressou-se em assinar termo de confidencialidade com a PF e a PGR para negociar delação premiada logo após tomar conhecimento de que seu cunhado e operador financeiro Fabiano Zettel, preso preventivamente na Operação Compliance Zero, recebeu orientação direta da mãe, uma desembargadora, para “correr” e delatar primeiro, sob o argumento clássico de que quem chega antes ao acordo entrega “o de cima” e garante benefícios maiores.
Essa corrida familiar pelo melhor acordo revela o pânico instalado no núcleo do esquema, onde laços de sangue e conselhos judiciais maternos se misturam à barganha penal, expondo como o sistema de justiça premial transforma criminosos de colarinho branco em delatores oportunistas, enquanto a desembargadora em questão, cuja imparcialidade agora é questionável, parece mais preocupada em salvar o filho do que em preservar a integridade do Judiciário.
O timing desesperado de Vorcaro, que trocou de advogado e intensificou contatos na Superintendência da PF em Brasília, reforça a percepção de que o colapso do império Master não foi acidente, mas o desfecho previsível de uma rede de corrupção que capturou bancos públicos, políticos e até instâncias familiares do Poder Judiciário, minando ainda mais a confiança nas instituições brasileiras.
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