Programa prevê distribuição gratuita de botijão para até 15 milhões de famílias, enquanto especialistas apontam riscos de burocracia, corrupção e falta de soluções estruturais para o alto preço do gás
O governo federal, sob a gestão de Lula, anuncia com pompa a ampliação do Programa Gás do Povo, que substitui o antigo Auxílio Gás e promete recarga gratuita do botijão de 13 kg para até 15 milhões de famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico, alcançando cerca de 50 milhões de pessoas e demandando R$ 5,1 bilhões apenas em 2026, um custo bilionário financiado por recursos dos pagadores de impostos em pleno ano eleitoral.
Embora o discurso oficial destaque o combate à pobreza energética e a redução do uso de lenha prejudicial à saúde, especialmente de mulheres e crianças, críticos apontam que a mudança de repasse em dinheiro para entrega direta em revendas credenciadas pode gerar burocracia excessiva, filas, dependência de redes varejistas e até corrupção em credenciamentos, sem atacar as causas estruturais do alto preço do gás, como a margem abusiva entre o valor da Petrobras,cerca de R$ 37, e o praticado no varejo, até R$ 150 em muitas regiões.
No fundo, o programa soa mais como medida assistencialista de impacto imediato e eleitoreiro do que como política sustentável de longo prazo, perpetuando a dependência do Estado em vez de promover regulação efetiva do mercado e alívio fiscal real para a população vulnerável.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
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