Presidente do Senado reage à ordem de leitura do requerimento, enquanto comissão investiga fraudes bilionárias na Previdência
Em mais um capítulo da interminável novela de arrogância institucional, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reagiu com indignação fingida à decisão do ministro André Mendonça, do STF, que determinou em 48 horas a leitura do requerimento de prorrogação da CPMI do INSS, comissão que investiga fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas, sob o pretexto de que se trata de “grave interferência” de um Poder no outro.
O mesmo Alcolumbre que, por omissão deliberada, engavetou por meses um pedido assinado por mais de um terço dos parlamentares, agora se arvora defensor da separação dos Poderes, como se o direito da minoria parlamentar de investigar crimes contra os mais vulneráveis fosse mera conveniência política sua.
Essa postura revela não zelo republicano, mas o velho corporativismo do Centrão: travar investigações incômodas que podem chegar a aliados, a governadores ou a esquemas de desvio no INSS, enquanto finge se indignar com o Judiciário que, desta vez, apenas cumpriu seu papel de garantir que a Constituição não seja letra morta nas mãos de um presidente de Congresso que age como dono do Legislativo.
Alcolumbre não defende a autonomia do Senado; defende o direito de enterrar no silêncio o que lhe convém.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
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