Requerimentos pedem depoimentos de autoridades em meio a investigações sobre vazamento e possível ligação com facções
O senador Magno Malta (PL-ES) apresentou requerimentos na CPI do Crime Organizado para convocar o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), e o desembargador federal Macário Júdice Neto (TRF-2), este último já preso preventivamente pela Polícia Federal sob suspeitas gravíssimas de vazamento de informações sigilosas de operações policiais, tráfico de influência e possível relação com facções criminosas como o Comando Vermelho.
Enquanto a CPI, presidida pelo petista Fabiano Contarato (PT-ES), parece priorizar pautas seletivas e até tentativas de atingir opositores, Malta cumpre o papel que a comissão deveria ter desde o início: aprofundar investigações sobre a infiltração do crime organizado no Poder Judiciário e no Executivo estadual, especialmente diante de indícios apontados pela PF de uma “rede de influências espúrias” envolvendo o desembargador preso e o próprio governo capixaba, incluindo trocas de mensagens e supostos ajustes em licitações milionárias.
Convocar esses nomes é uma exigência mínima de transparência: se há cheiro de podridão ligando magistrados, governadores e o submundo do crime, a CPI tem o dever constitucional de ir até o fim, sem blindagens partidárias ou corporativas.
Qualquer resistência ou manobra para barrar esses depoimentos só reforçará a suspeita de que, para alguns, combater o crime organizado é mera retórica, desde que não atinja os seus.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Fernando Madeira