Tratativas com o Ministério Público podem envolver conexões com outros casos sob apuração no sistema financeiro
Em um desfecho previsível para quem acompanhou o rápido crescimento e o igualmente acelerado colapso da Reag Investimentos, o fundador João Carlos Mansur negocia termos de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo no âmbito da Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do PCC na economia formal, e também no escândalo do Banco Master.
O detalhe mais revelador é que Mansur compartilha o mesmo advogado, José Luís Oliveira Lima, com Daniel Vorcaro, o ex-controlador do banco liquidado pelo BC, o que leva autoridades a apostarem em uma delação conjunta, potencialmente explosiva, capaz de expor conexões bilionárias entre fundos da Reag, fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e possivelmente figuras influentes do sistema financeiro e político brasileiro.
Enquanto Mansur, que até março negava qualquer vínculo com o crime organizado e alegava ter sido “penalizado por ser grande e independente”, agora busca reduzir penas em troca de colaboração, fica evidente o padrão clássico de grandes esquemas no Brasil: impérios construídos com recursos de origem duvidosa, incluindo movimentações suspeitas de centenas de milhões e até bilhões em fundos, desmoronam sob investigação, os principais atores correm para delatar uns aos outros e o pagador de impostos comum fica com o rombo, a desconfiança no mercado de capitais e a sensação de que a impunidade seletiva continua intacta, afinal, delações premiadas costumam premiar quem chega primeiro ao acordo, nem sempre quem mais contribuiu para o prejuízo coletivo.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Agência Senado