CPMI DO INSS TERMINA SEM PRORROGAÇÃO E RELATÓRIO PREVÊ CENTENAS DE INDICIAMENTOS

REDAÇÃO

Comissão encerra atividades após decisão do STF e texto final deve apontar cerca de 220 investigados

CPMI do INSS encerra trabalhos nesta sexta-feira (27) após STF derrubar prorrogação; relatório deve pedir indiciamento de cerca de 220 pessoas, com Lulinha em análise
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS caminha para o encerramento dos trabalhos nesta sexta-feira (27 de março de 2026), após o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar, por 8 votos a 2, a liminar do ministro André Mendonça que autorizava a prorrogação. A decisão do STF determina que a comissão encerre as atividades até sábado (28).
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), finalizou relatório com mais de 5 mil páginas que deve pedir o indiciamento de cerca de 220 a 228 pessoas. Gaspar afirmou que o texto será técnico e não poupará ninguém com indícios de participação por ação ou omissão. Entre os nomes analisados está o de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja inclusão no rol de indiciados ainda é avaliada e gera resistência da base governista.
As investigações da Polícia Federal na Operação Sem Desconto apontam Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, como principal operador do esquema de fraudes em descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Lulinha aparece nas apurações por relações próximas com o lobista, incluindo depoimentos sobre pagamentos recorrentes e  “mesada” de R$ 300 mil mensais via intermediários, como a empresária Roberta Luchsinger. A PF investiga se ele atuou como sócio oculto em negócios ligados ao lobista, inclusive empresas no exterior.
Quebras de sigilo revelaram que Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões entre 2022 e janeiro de 2026, com 1.531 transações bancárias. A defesa afirma que as fontes de renda são lícitas e que repasses do presidente Lula ao filho, totalizando R$ 721 mil em três transferências, são legítimos. Documentos da PF indicam que o Careca financiou viagens de Lulinha, incluindo passagens e hospedagem em Portugal em novembro de 2024.
Lulinha mudou-se para a Espanha em janeiro de 2026, onde abriu empresa em Madri. Relatórios da PF enviados ao STF classificam a saída “sem previsão de retorno” como possível tentativa de evasão. A defesa nega irregularidades, afirma que a mudança foi planejada há tempos e que ele retornará ao Brasil quando convocado. Recentemente, Lulinha telefonou para o presidente Lula para tratar da situação na Europa.
Dentro da comissão, a possível inclusão de Lulinha gerou atrito. A base governista prepara relatório paralelo que deve indiciar cerca de 170 pessoas e atribuir falhas ao governo anterior. Parlamentares da oposição acusam interferência política para proteger o filho do presidente, enquanto o governo classifica as menções como perseguição sem provas suficientes.
Foto: Divulgação