RELATOR DA CPMI DO INSS CRITICA DECISÃO DO STF SOBRE ACESSO A DADOS

REDAÇÃO

Deputado aponta entraves na liberação de informações sigilosas para investigação do caso

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar, expôs com clareza o “ponto de conflito” entre o Congresso e o STF ao criticar a decisão de Dias Toffoli que determinou a entrega de dados sigilosos de Daniel Vorcaro, figura central nas fraudes bilionárias contra aposentados, diretamente à Presidência do Senado, em vez de permitir o acesso pleno e imediato da comissão parlamentar de inquérito. 
Em vez de facilitar a investigação de um dos principais operadores do esquema que lesou milhares de idosos, Toffoli optou por uma via institucional que concentra o controle nas mãos da cúpula do Legislativo, criando entraves burocráticos e potencialmente enfraquecendo o trabalho da CPMI. 
Essa interferência judicial, mais uma vez, revela o padrão recorrente do Supremo: quando se trata de proteger ou controlar o fluxo de informações sobre investigados poderosos, o STF não hesita em impor limites ao Legislativo, mesmo quando a comissão atua dentro de suas prerrogativas constitucionais de fiscalização. E
Enquanto a CPMI tentava rastrear conexões financeiras, propinas e vínculos comprometedores envolvendo o Banco Master e Vorcaro, a decisão de Toffoli transformou o sigilo em mais um instrumento de disputa de poder entre togas e parlamentares, atrasando a transparência e beneficiando, na prática, quem tem muito a esconder. 
No Brasil onde o Judiciário acumula poderes sem contrapesos efetivos, o “conflito” apontado por Gaspar não é sintoma de um desequilíbrio institucional grave, onde o STF decide o que o Congresso pode ou não investigar com profundidade, especialmente quando o rastro do dinheiro chega perto de círculos de influência política e financeira.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Divulgação