Documento recomenda responsabilização de até 228 pessoas por fraudes em benefícios previdenciários
O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), incluiu o nome de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na lista de indiciamentos do relatório final da comissão. O documento, com cerca de 5 mil páginas, deve ser lido nesta sexta-feira (27 de março de 2026) e votado até o dia 28.
O relatório recomenda o indiciamento de cerca de 200 a 228 pessoas no total. Entre os nomes citados está Lulinha, por ligações com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, principal operador do esquema de fraudes em descontos irregulares em benefícios previdenciários. As suspeitas envolvem pagamentos recorrentes, viagens custeadas e atuação como sócio oculto, com base em investigações da Polícia Federal, depoimentos e quebras de sigilo.
O texto também menciona pedido de prisão preventiva ou representação para medidas cautelares, motivado por risco de fuga. Lulinha reside ou tem vínculos na Espanha e movimentou R$ 19,5 milhões entre 2022 e janeiro de 2026. O relator afirmou que o trabalho é técnico e não poupará ninguém com indícios de participação por ação ou omissão. Outros nomes citados incluem o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o ex-ministro Carlos Lupi.
A CPMI investiga fraudes bilionárias em descontos indevidos em aposentadorias e pensões, envolvendo entidades associativas e lobistas. Operações da Polícia Federal, como a Sem Desconto, já resultaram em prisões. A comissão encerra os trabalhos no dia 28 de março de 2026, após o Supremo Tribunal Federal derrubar a prorrogação. A base governista prepara relatório paralelo e questiona a inclusão de Lulinha por falta de provas suficientes.
A defesa de Lulinha nega irregularidades, afirma que as movimentações são lícitas e classifica as acusações como perseguição política. O indiciamento pela CPMI é uma recomendação que será enviada ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, cabendo à Justiça decidir sobre eventuais denúncias ou medidas cautelares.
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