
A Polícia Federal concluiu um relatório enviado ao STF apontando o deputado federal pelo PSB-CE como líder político de uma suposta organização criminosa que teria movimentado cerca de R$ 800 milhões em recursos públicos. Segundo a PF, o esquema envolvia venda de emendas parlamentares, cobrança de propina (tratada internamente como “imposto” de cerca de 15%), fraudes em licitações de prefeituras e uso desses recursos para financiar campanhas eleitorais e consolidar poder em dezenas de municípios cearenses. O parlamentar foi indiciado por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral e falsidade ideológica. Seu principal aliado operacional, o ex-prefeito Bebeto Queiroz, segue foragido.
Diante de acusações dessa gravidade que não são mera “perseguição política”, mas resultado de investigação técnica da PF com indícios robustos, o tom desafiador de Júnior Mano soa inadequado. Dizer que segue “firme e forte” para o Senado, mesmo com o caso tramitando no Supremo, transmite a mensagem de que investigações graves não são suficientes para frear ambições políticas. Isso normaliza a permanência de figuras sob forte suspeita no centro do poder, enfraquecendo a confiança da sociedade nas instituições e no próprio processo eleitoral.
É legítimo que o deputado se defenda e presuma inocência até eventual condenação transitada em julgado. No entanto, em um país marcado por sucessivos escândalos de desvio de emendas parlamentares, a postura de ignorar o peso das acusações e insistir na candidatura transmite arrogância e desprezo pelo eleitor. A verdadeira coragem política, nesse momento, não seria desafiar a PF com frases de efeito, mas demonstrar transparência total, afastar-se temporariamente da disputa majoritária e permitir que as investigações sigam sem interferência política. Enquanto isso não acontece, a declaração de “firme e forte” soa menos como determinação e mais como sintoma de um sistema que ainda trata impunidade como direito adquirido.
A sociedade cearense e brasileira merecem candidatos ao Senado com ficha limpa e credibilidade intacta não quem transforma grave investigação em mera “pedra no caminho” da carreira.
Foto: Ismael Soares / Diário do Nordeste