Levantamento indica 53,3% contrários a novo mandato em 2026 e mostra cenário eleitoral desafiador
O mais recente levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta segunda-feira (30), revela um sinal inequívoco de desgaste: para 53,3% dos eleitores brasileiros, o presidente Lula (PT) não merece uma reeleição em 2026, contra apenas 43,7% que defendem a continuidade de seu mandato.
A pesquisa, realizada entre 25 e 28 de março com 2.080 entrevistados em 158 municípios e no Distrito Federal, registra margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Esse resultado, ligeiramente pior que o de fevereiro, 52,2% contra 43,9%, expõe a fragilidade do projeto petista no terceiro mandato de Lula, marcado por promessas não cumpridas, inflação persistente, crescimento econômico anêmico e uma gestão que prioriza narrativas ideológicas em detrimento de resultados concretos para a população.
Criticamente, o número reflete mais do que mera oscilação: ele denuncia o abismo entre o discurso oficial de “reconstrução do país” e a realidade vivida por milhões de brasileiros. Enquanto o governo celebra supostos avanços sociais, a maior parte do eleitorado rejeita a ideia de mais quatro anos de um ciclo que reviveu velhas práticas de aparelhamento estatal, aumento da dívida pública e dependência de alianças fisiológicas para manter o poder. O Nordeste, tradicional reduto petista, ainda concentra maior apoio, mas o Sul e outras regiões demonstram rejeição expressiva, sinalizando que até bases históricas começam a questionar o custo-benefício de um governo que entrega mais polarização e menos eficiência. A desaprovação geral da gestão, que oscila na casa dos 50%, caminha lado a lado com essa percepção de “não merecimento”, sugerindo que o carisma pessoal de Lula já não basta para encobrir falhas estruturais como a lentidão na redução da pobreza, os escândalos de corrupção que ressurgem em investigações e uma política externa errática que isola o Brasil em fóruns internacionais relevantes.Mais grave ainda é o contexto eleitoral que esse dado antecipa. Com Flávio Bolsonaro (PL) aparecendo em empate técnico ou até vantagem em simulações de segundo turno, o petismo enfrenta o risco real de ver seu líder histórico derrotado por uma oposição que capitaliza justamente o cansaço com o “nunca antes neste país”. A pesquisa da Paraná, registrada no TSE, não é um simples termômetro; é um alerta vermelho para um governo que apostou na memória afetiva dos anos 2000 enquanto o presente entrega contas de luz mais caras, emprego precário e uma sensação generalizada de que o Brasil patina em vez de avançar. Manter o discurso de vitimização e atacar “golpistas” já não convence a maioria que, na prática, decidiu: Lula não merece mais uma chance no Planalto. Resta ao PT recalcular a rota ou assistir ao eleitorado consolidar, nas urnas de 2026, o veredito que as pesquisas já antecipam com clareza preocupante.
Por: Rodolfo Oliveira
Foto: EFE