Presidente do PL critica base aliada por impedir investigação sobre rombo bilionário no FGC e cobra apuração do escândalo financeiro
Em tom direto e sem meias palavras, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, acusou nesta segunda-feira (30) a base aliada do governo federal de proteger possíveis envolvidos no caso Banco Master, o maior rombo já registrado no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
“Muita coisa ruim vem por aí e o governo não assina, não quer a instalação da CPI. O que é sinal que deve ter gente do governo envolvido nisso”, declarou Valdemar durante o Almoço Empresarial do grupo Lide, em São Paulo.
O escândalo do Banco Master, fundado por Daniel Vorcaro (atualmente preso e negociando delação premiada), deixou um rombo recorde de quase R$ 52 bilhões no FGC e prejuízos de cerca de R$ 2 bilhões em fundos de investimento. O caso é considerado o maior escândalo financeiro da história recente do Brasil.
Valdemar defendeu com veemência a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as fraudes e dar respostas aos milhares de investidores prejudicados.
“Essa gente que perdeu dinheiro e ainda tem dificuldade para recuperar os recursos está aí, com toda a prova do mundo, e em um sentido muito ruim”, enfatizou o líder do PL.
“Se tivesse gente do PL envolvido, já teriam me procurado”
O presidente do PL foi além e afastou qualquer suspeita sobre membros de sua própria legenda:
“Se tivesse [envolvimento no PL], já teria me procurado para falar: ‘Olha, essa CPI é ruim para mim’”.
Comparação incômoda com a CPMI do INSS
Valdemar comparou a resistência à CPI do Banco Master com o que ocorreu na CPMI do INSS, cujo relator foi o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). Segundo ele, a comissão não aprovou um relatório “de uma pessoa decente” e o caso acabou sendo empurrado para o Ministério Público.
PL anuncia agenda de austeridade em meio ao escândalo
Além de cobrar transparência no caso Master, Valdemar adiantou que o PL apresentará um plano para cortar gastos públicos e aumentar a eficiência da máquina federal — sinalizando que a oposição pretende explorar politicamente os escândalos financeiros para pressionar o governo Lula por maior responsabilidade fiscal.
A instalação de uma CPI no Senado exige 27 assinaturas. Até o momento, a falta de apoio da base governista tem sido o principal entrave para a investigação parlamentar.
O Palácio do Planalto ainda não se manifestou sobre as declarações de Valdemar.O caso Banco Master continua gerando forte repercussão nos meios político e econômico, com debates sobre falhas de supervisão, possíveis conexões com o poder público e a necessidade urgente de prestação de contas aos brasileiros que tiveram recursos afetados.
Foto: Evandro Macedo/ LIDE