António Costa pede contenção militar, respeito ao direito internacional e solução diplomática em meio à escalada no oriente médio
Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, conversou por telefone com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e fez um apelo direto: o Irã deve garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, interromper os “ataques inaceitáveis” contra países da região e priorizar a via diplomática com a Organização das Nações Unidas (ONU).
A informação foi divulgada pelo próprio Costa em publicação na rede social X (antigo Twitter). Segundo ele, a ligação enfatizou a necessidade urgente de redução da escalada, contenção das ações militares, proteção de civis e de infraestruturas civis, além do pleno respeito ao direito internacional.
“Eu insisti na redução da escalada e na contenção, na proteção de civis e da infraestrutura civil e na necessidade de todas as partes respeitarem plenamente o direito internacional. A perda de vidas inocentes, inclusive na escola de Minab, é profundamente lamentável”, escreveu Costa. 
O líder europeu reforçou ainda o pedido para que Teerã cesse os ataques a nações vizinhas e colabore ativamente para restabelecer o tráfego seguro pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais críticas do planeta.
Contexto de grave tensão no Golfo Pérsico
O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e Omã, é responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo e gás natural comercializado no mundo. Desde o início de março de 2026, após ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, o Irã respondeu com ações militares que resultaram em um “fechamento de facto” da via: o tráfego de navios caiu drasticamente (em alguns momentos mais de 90%), companhias de navegação suspenderam rotas por medo de ataques, minas ou drones, e Teerã impôs condições para a passagem, autorizando apenas embarcações consideradas “não hostis”.
A Guarda Revolucionária Islâmica chegou a ameaçar incendiar navios que tentassem cruzar o estreito sem coordenação e anunciou sistemas de “portagens” ou autorizações militares. Países do Golfo, especialmente os Emirados Árabes Unidos, relataram ataques com mísseis e drones iranianos contra civis e infraestruturas.
A União Europeia já havia se posicionado coletivamente nas últimas semanas, cobrando a reabertura imediata do estreito, uma moratória em ataques a instalações de energia e água, e o fim de ações que colocam em risco populações civis. Países como Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e até o Japão manifestaram disposição para contribuir com esforços de segurança marítima, sempre dentro do direito internacional e sem participação direta em operações militares ofensivas.
Impactos globais e apelo pela diplomacia
A interrupção parcial da navegação em Ormuz já provoca reflexos na economia mundial: alta nos preços do petróleo, aumento nos custos de seguros marítimos e disrupções em cadeias de suprimentos, incluindo fertilizantes e energia. Especialistas alertam que um bloqueio prolongado poderia gerar um choque energético sem precedentes, afetando economias da Europa, Ásia e América Latina.
António Costa, que também tem dialogado com líderes do Golfo (como o presidente dos Emirados, Mohamed bin Zayed), reitera que a União Europeia apoia a autodefesa dos países do Conselho de Cooperação do Golfo e defende que “só o diálogo e a diplomacia podem trazer paz e estabilidade de volta ao Oriente Médio”.
Até o momento, não há registro público de uma resposta oficial do governo iraniano à conversa com Costa. O diálogo segue como principal instrumento defendido pela Europa para evitar uma escalada ainda mais destrutiva, que já causou perdas civis e ameaça a segurança energética global.