“COINCIDÊNCIA” DE LUXO: MORAES FICOU IRRITADO COM REVELAÇÃO DE VOOS EM AVIÕES DE VORCARO

REDAÇÃO

Ministro contesta reportagens sobre uso de jatos associados a empresário investigado, enquanto defesa aponta contratação regular de táxi aéreo

O ministro Alexandre de Moraes ficou contrariado com a divulgação de que ele e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, realizaram pelo menos oito voos em jatos executivos ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, empresa liquidada em meio a graves acusações de fraudes bilionárias. 
O escritório da esposa tratou o incômodo como mera “coincidência”: segundo a nota oficial, o escritório contrata diversos serviços de táxi aéreo e, por acaso, um deles era da Prime Aviation, empresa da qual Vorcaro era sócio, com os custos supostamente compensados nos honorários milionários, cerca de R$ 3,6 milhões mensais, pagos pelo próprio Banco Master pelo contrato de consultoria jurídica. 
Enquanto Moraes nega veementemente ter viajado em aviões de Vorcaro ou em sua companhia, os registros da Anac, Decea e RAB revelam embarques simultâneos em Brasília com decolagens dos mesmos jatos, expondo mais uma vez a perigosa proximidade entre o relator de processos sensíveis e um banqueiro investigado. 
Essa versão de “coincidência operacional” soa como mais um capítulo da blindagem corporativa que tenta reduzir relações financeiras e logísticas milionárias a detalhes banais, alimentando a percepção de que, para certos atores do STF, o escrutínio público é o verdadeiro problema, não os indícios de favorecimento, influência e estilo de vida sustentado por quem está sob os holofotes da Justiça.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação