COMÉRCIO DE ETANOL, TARIFAS E DESMATAMENTO: BRASIL NA MIRA DE INVESTIGAÇÃO AMERICANA

REDAÇÃO

Relatório do governo americano aponta práticas consideradas desleais e pode levar a novas tarifas contra produtos brasileiros

Em meio a uma escalada de tensões comerciais com os Estados Unidos, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta duras críticas da Casa Branca, que acusa o Brasil de adotar práticas comerciais desleais e discriminatórias. Um documento oficial produzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) detalha uma série de queixas que colocam o país na mira de uma investigação formal sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana, com risco real de novas sanções e tarifas elevadas.
Entre os principais alvos da administração Trump está o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. Os americanos argumentam que o governo brasileiro favorece de forma indevida esse mecanismo criado pelo Estado, criando barreiras para empresas estrangeiras de cartões de crédito e serviços de pagamento. A crítica sugere que o modelo brasileiro prejudica a concorrência e limita os investimentos de companhias dos Estados Unidos no setor digital.
O relatório também questiona barreiras tarifárias consideradas injustas, preferências a fornecedores locais e o acesso ao mercado de etanol, além de apontar fragilidades na proteção à propriedade intelectual com menções explícitas ao comércio de produtos falsificados em áreas como a Rua 25 de Março, em São Paulo. Outro ponto sensível é a suposta ineficiência do Brasil no combate ao desmatamento ilegal, que, segundo os EUA, dá vantagem competitiva injusta a exportadores brasileiros de commodities como carne, soja e madeira.
O Mercosul aparece indiretamente nas queixas, especialmente em relação a acordos comerciais negociados pelo bloco que poderiam prejudicar interesses americanos. A chamada “taxa das blusinhas”, medida adotada pelo governo Lula para taxar remessas internacionais de baixo valor, também ganha destaque no noticiário como parte do clima de atrito, embora não seja o foco central da investigação. A medida, vista por muitos como uma tentativa de proteger o varejo nacional, contribui para a percepção de que o Brasil ergue muros contra o comércio global.
A investigação, aberta em julho de 2025, ganha novo impulso agora, com consultas bilaterais previstas para abril ou maio deste ano. Analistas alertam que o desfecho pode resultar em tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, agravando o impacto do “tarifaço” de até 50% já imposto pelos Estados Unidos no ano passado medida que, segundo Trump, tem relação direta com o que ele classifica como “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Especialistas em relações internacionais veem na ofensiva americana um reflexo da incapacidade do governo Lula de construir uma agenda comercial pragmática e de evitar confrontos ideológicos desnecessários. Em vez de priorizar a atração de investimentos e a abertura de mercados, a gestão petista teria optado por um alinhamento excessivo com agendas globais que irritam Washington, expondo a economia brasileira a retaliações dolorosas.
Setores exportadores, como o agronegócio, a indústria e o setor de serviços, já sentem os efeitos da instabilidade. Com o dólar pressionado e a ameaça de perda de competitividade nos Estados Unidos principal destino de diversos produtos brasileiros, cresce a cobrança por uma resposta mais firme e menos ideológica por parte de Brasília. Até o momento, o Itamaraty tem se limitado a defender o “caráter social” do Pix e negar qualquer discriminação, postura que analistas consideram insuficiente diante da gravidade do momento.
A crise comercial reforça a imagem de um governo que, após três anos de gestão, acumula tropeços na área econômica internacional, colocando em risco empregos e o crescimento do país por decisões que priorizam confrontos políticos em detrimento de resultados concretos para a população brasileira.
Foto: White House / PR