“VAMOS BARATEAR AS PASSAGENS”, DISSE LULA. HOJE: QUEROSENE DE AVIAÇÃO +56% MAIS CARO, MISSÃO CUMPRIDA?

REDAÇÃO

Reajuste do combustível de aviação acompanha alta do petróleo e deve impactar custos das companhias aéreas.

A Petrobras anunciou nesta quarta-feira um forte reajuste no preço do querosene de aviação, conhecido como QAV, com aumento de até 56,26%. O reajuste entra em vigor já a partir de hoje, 1º de abril de 2026.
Em Ipojuca, no estado de Pernambuco, o litro do QAV subirá de R$ 3.458 para R$ 5.403,30. A distribuidora Vibra Energia também anunciou reajuste de 54,63% no mesmo produto, repassando integralmente o aumento definido pela estatal.O anúncio acontece 32 dias após o início do conflito no Oriente Médio, que envolve Irã, Estados Unidos e Israel. Essa escalada de tensão gerou forte instabilidade no mercado internacional de petróleo. O barril do tipo Brent chegou a superar a marca de US$ 100, partindo de cerca de US$ 72,48 antes da guerra. Nesta quarta-feira, o preço recuou 2,10%, mas ainda se mantém elevado em US$ 101,79.
O estreito de Ormuz, uma rota marítima estreita de apenas 33 quilômetros de largura, é o principal ponto de preocupação. Por ali passam mais de 14 milhões de barris de petróleo por dia, o que representa cerca de 25% de todo o escoamento mundial do produto. Qualquer perturbação nessa região afeta diretamente os preços globais. O querosene de aviação representa cerca de um terço dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras. Por isso, o reajuste deve gerar forte pressão sobre o valor das passagens aéreas nos próximos meses. Analistas do setor estimam que cada aumento significativo no combustível pode levar a reajustes nas tarifas pagas pelos passageiros.
Juliano Noman, presidente da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), defendeu publicamente a adoção de medidas emergenciais pelo governo. Ele sugeriu a isenção de impostos sobre o QAV, semelhante ao que foi feito recentemente com o diesel, para ajudar a mitigar o impacto da alta provocada pela guerra.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, havia declarado no dia 6 de março que a empresa tentaria evitar o repasse imediato das oscilações internacionais do petróleo aos consumidores brasileiros. Apesar dessa intenção, o reajuste agora anunciado reflete a forte pressão dos preços globais.O aumento afeta diretamente as distribuidoras, as companhias aéreas e os consumidores finais nos aeroportos. Até o momento, as empresas aéreas ainda não divulgaram os possíveis reajustes nas tarifas de passagens, mas o mercado já espera impacto nas próximas semanas.
O governo federal ainda não anunciou pacote oficial de medidas para o setor aéreo, mas a sugestão de isenção tributária ganha força diante da magnitude do reajuste. Sem ações de alívio, o setor de aviação pode enfrentar custos mais elevados justamente em um momento de recuperação pós-pandemia.
Texto: Redação Diário 360 
Foto: Reprodução