Vladimir Putin afirma estar disposto a atuar na região enquanto Rússia mantém ofensiva militar contra a Ucrânia
O ditador russo Vladimir Putin declarou nesta quinta-feira (2) que a Rússia está pronta para fazer “tudo o que for necessário” para restaurar a paz no Oriente Médio, posicionando-se como potencial mediador ou salvador da região em meio às tensões persistentes entre Israel, Irã, Hamas, Hezbollah e outros atores.
A declaração soa especialmente grotesca vindo de um tirano que, há mais de quatro anos, conduz uma guerra de agressão brutal contra a Ucrânia, responsável por centenas de milhares de mortos, cidades destruídas, crimes de guerra documentados e uma crise humanitária sem fim, tudo em nome de objetivos imperialistas disfarçados de “desnazificação” e “segurança”.
Enquanto Moscou envia drones e mísseis contra civis ucranianos e ignora resoluções internacionais, Putin oferece agora sua “ajuda” ao Oriente Médio, região onde a Rússia já mantém presença militar na Síria, apoia regimes autoritários e usa influência para contrabalançar os Estados Unidos.
O discurso revela menos interesse genuíno pela paz do que o desejo de ampliar sua relevância global, distrair do atoleiro ucraniano e explorar o vácuo deixado por uma ordem internacional enfraquecida, na qual ditadores se apresentam como pacificadores enquanto semeiam destruição em casa.
No fim, “tudo o que for necessário” na boca de Putin raramente significa diplomacia, costuma significar tanques, bombardeios e novas esferas de influência pagas com sangue alheio.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Reuters