MOODY’S REBAIXA BRB PARA ALTO RISCO DE CALOTE APÓS ESCÂNDALO DO BANCO MASTER
REDAÇÃO
Agência de classificação cita exposição ao Banco Master e incertezas contábeis como fatores para aumento do risco de crédito
A Moody’s acaba de desferir um golpe duro na credibilidade do BRB, Banco de Brasília, rebaixando sua nota de crédito e elevando o risco de calote para níveis alarmantes, citando explicitamente as incertezas geradas pelo escândalo do Banco Master e o atraso na divulgação do balanço referente a 2025.
O que era para ser um banco público sólido, controlado pelo Governo do Distrito Federal, transformou-se em símbolo de governança frágil e ambição desmedida: o BRB engoliu cerca de R$ 12,3 bilhões em carteiras de crédito consignado do Master em 2025, representando mais de 20% de sua carteira, operação agora sob investigação da Polícia Federal por suspeitas de fraudes bilionárias, quebras contratuais e ativos podres que exigiram substituição de quase R$ 10 bilhões.
Em vez de solidez, o episódio expõe falhas graves nos controles internos, na gestão de risco e na capacidade de due diligence de um banco que, mesmo com capital já apertado próximo ao limite regulatório, apostou alto em crescimento acelerado sem os devidos colchões.
O resultado é previsível e preocupante: maior provisionamento de perdas, pressão sobre a capitalização, risco de fuga de depositantes, reputação destruída e a perspectiva de mais aportes de recursos públicos, ou seja, do pagador de imposto brasiliense e brasileiro, para evitar um colapso maior.
Mais uma vez, o capitalismo de Estado brasileiro demonstra que, quando a pressa por expansão encontra opacidade e compadrio, o preço final não é pago pelos gestores ou acionistas controladores, mas pela sociedade que, no fim, socorre bancos “estratégicos” com dinheiro alheio enquanto assiste ao desmonte da confiança no sistema financeiro.
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