“UM ROUBA O OUTRO”: DIÁLOGOS EXPÕEM QUADRILHA DE DESEMBARGADORES QUE VENDIA SENTENÇAS NO MARANHÃO

REDAÇÃO

Operação da Polícia Federal afasta desembargadores e revela organização criminosa com juízes, advogados e assessores atuando na manipulação de decisões judiciais

A Polícia Federal deflagrou a Operação Inauditus e afastou os desembargadores Antônio Pacheco Guerreiro Júnior (foto) e Luiz de França Belchior Silva do Tribunal de Justiça do Maranhão, em meio a investigações de um esquema criminoso de venda de sentenças e direcionamento de decisões judiciais, especialmente em litígios agrários milionários. 
Diálogos interceptados revelam o racha interno do grupo com a frase explícita “um rouba o outro”, expondo não uma mera irregularidade, mas uma verdadeira organização criminosa dentro do tribunal, onde magistrados, assessores, juízes e advogados atuavam como quadrilha para acelerar ou manipular processos mediante vantagens indevidas, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e até distribuição seletiva de ações. 
Enquanto o cidadão comum espera anos por uma decisão justa e sofre com a morosidade crônica da Justiça, parte da toga maranhense transformava o Poder Judiciário em balcão de negócios, negociando alvarás, liminares e sentenças como mercadoria. 
O afastamento dos dois desembargadores, um deles já envolvido em outra operação por desvio de recursos públicos, é apenas o sintoma visível de um problema muito mais profundo: a impunidade histórica, a falta de transparência real e a cultura de que “juiz não vai preso” permitem que esse tipo de mercantilização da justiça se perpetue. 
No fim, quem perde é sempre a sociedade, que assiste atônita ao espetáculo de desembargadores brigando pelo butim enquanto a credibilidade do Judiciário desaba para níveis subterrâneos.
Texto: Rodolfo Oliveira 
Foto: Divulgação