Levantamento aponta expansão imobiliária da família e levanta debate sobre evolução patrimonial e transparência
O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, acumularam um crescimento patrimonial expressivo desde que ele tomou posse na Corte, em 2017. Levantamento baseado em registros públicos de cartórios revela que o patrimônio imobiliário da família aumentou 266% no período, saltando de cerca de R$ 8,6 milhões em 12 imóveis para um total atual de 17 propriedades avaliadas em torno de R$ 31,5 milhões.
Nos últimos cinco anos, o casal desembolsou R$ 23,4 milhões na aquisição de imóveis em Brasília e São Paulo. Todas as operações foram realizadas à vista, sem recurso a financiamentos bancários, conforme as escrituras registradas. Entre os destaques recentes está a compra de uma mansão de 725 metros quadrados no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, por R$ 12 milhões pagos integralmente à vista, transação concluída há poucas semanas e registrada em nome do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa da família da qual Viviane e os três filhos são sócios.
Parte significativa das aquisições mais recentes ocorreu por meio dessa mesma entidade, que concentra diversos bens do casal, incluindo apartamentos de alto padrão em Campos do Jordão e outros imóveis no interior paulista. O ritmo acelerado de compras, concentrado especialmente a partir de 2021, coincide com o período em que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes firmou um contrato milionário com o Banco Master, instituição financeira posteriormente liquidada pelo Banco Central em meio a graves suspeitas de fraudes.
O acordo, revelado por reportagens, previa pagamentos mensais elevados que poderiam totalizar cerca de R$ 129 milhões ao longo de três anos. O escritório alega ter prestado consultoria jurídica legítima, com reuniões e pareceres sobre compliance e regulação, mas o valor chamou atenção por superar em muito os honorários praticados no mercado para serviços semelhantes. O timing entre o contrato e o salto nas aquisições imobiliárias gerou questionamentos sobre possível conflito de interesses, uma vez que Alexandre de Moraes ocupa posição de grande influência no Judiciário.
Críticos apontam que o enriquecimento rápido da família, impulsionado em parte por distribuição de lucros do escritório e pela empresa familiar, levanta dúvidas sobre a origem dos recursos, especialmente diante do envolvimento do Banco Master em investigações de irregularidades. Embora não haja condenação judicial contra o casal até o momento, e a defesa sustente que todo o patrimônio decorre de atividades lícitas como salários, advocacia e royalties de livros, o caso alimentou debates sobre transparência e ética no exercício de cargos públicos de alto escalão.
O crescimento patrimonial de Viviane Barci também foi notado de forma isolada, com seu patrimônio pessoal declarado passando de aproximadamente R$ 24 milhões em 2023 para cerca de R$ 79,7 milhões em 2024. Enquanto o ministro e sua família mantêm silêncio ou respostas limitadas sobre os detalhes, os documentos de cartório expõem um padrão de aquisições que contrasta com a remuneração oficial de um magistrado do Supremo e reforça questionamentos sobre a evolução financeira da família em meio a controvérsias envolvendo poder e dinheiro.
Foto: AFP