Guilherme Boulos afirmou que medida teria sido determinada por Luiz Inácio Lula da Silva, mas Agência Nacional de Transportes Terrestres nega qualquer anulação
O ministro Guilherme Boulos anunciou nas redes sociais que o presidente Lula havia “determinado o cancelamento” de cerca de 3 milhões de multas aplicadas no sistema de pedágio Free Flow, atribuindo as autuações a uma suposta estratégia do governador Tarcísio de Freitas para “favorecer concessionárias”.
A narrativa, porém, foi rapidamente desmentida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que esclareceu de forma categórica: não houve cancelamento, anulação ou suspensão das multas por evasão de pedágio; o pagamento da tarifa continua obrigatório, as infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro seguem válidas e o sistema opera normalmente nas rodovias.
O que existe, na melhor das hipóteses, é uma proposta ainda em análise no Contran e na Consultoria Jurídica do Ministério dos Transportes para uma possível medida transitória de integração tecnológica, nada que anule as penalidades já emitidas ou transforme o anúncio de Boulos em realidade concreta.
Essa discrepância expõe não apenas o costumeiro atropelo entre o discurso político eleitoreiro e a técnica regulatória, mas também a fragilidade de um modelo de pedágio eletrônico implantado sem a devida preparação dos usuários, gerando multas em massa por falhas de sinalização, integração de sistemas e falta de clareza.
No fim, motoristas comuns ficam no meio do fogo cruzado entre narrativas partidárias e a rigidez burocrática, enquanto o pagador de impostos banca a conta de um sistema que, até agora, parece mais eficiente em gerar polêmica do que em cobrar pedágio de forma justa e transparente.
Texto: Rodolfo Oliveira
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