FIM DA ESCALA 6X1: O PRESENTE ENVENENADO QUE VAI CUSTAR EMPREGOS NAS PEQUENAS EMPRESAS, DIZ ESTUDO

REDAÇÃO

Pesquisa aponta que alteração na jornada pode pressionar pequenas empresas e afetar empregos formais no Brasil

O estudo do Instituto Esfera expõe a crua realidade por trás da proposta de fim da escala 6×1: ao atingir diretamente 31,5 milhões de trabalhadores formais, mais de metade dos celetistas, a medida recairia com peso desproporcional sobre as pequenas empresas, que concentram 52% dos empregos no país e já operam com margens apertadas, pouca capacidade de absorver custos extras e dificuldade para reorganizar turnos sem perder produtividade ou reduzir horários de atendimento. 
Criticar a escala 6×1 como mera “exploração” ignora que ela reflete a dinâmica real de setores como comércio e serviços, onde o fluxo de clientes exige flexibilidade. 
Impor uma redução rígida de jornada por decreto, sem ganhos comprovados de produtividade que compensem o aumento da folha, não passa de populismo bem-intencionado que ameaça demissões, informalidade e pressão sobre preços, castigando justamente os empreendedores que mais geram vagas e os trabalhadores que dependem delas para sobreviver.
Em vez de proteger o empregado, a mudança pode empurrar muitos para o desemprego ou para a informalidade, revelando que boa parte do debate sobre “direito ao descanso” serve mais para retórica ideológica do que para soluções viáveis em uma economia ainda frágil.
Texto: Rodolfo Oliveira 
Foto: Wilson Dias